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Policial

Polícia suspeita que motivação da morte de índio guarani foi vingança

O delegado disse que já interrogou o pai e o irmão da vítima, além do capataz e do proprietário da fazenda.

Flávio Paes/Região News

13 de Junho de 2013 - 13:26

A Polícia Civil interrogou, nesta quinta-feira (13), quatro testemunhas para apurar a morte de um índio guarani, de 34 anos. O delegado Rinaldo Moreira, que investiga o caso, diz que a hipótese mais provável é que tenha sido crime de vingança.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) enviou um representante para o município para ouvir as lideranças da aldeia. O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Flávio Vicente Machado, disse que ainda não há como afirmar que a morte tenha relação com conflito agrário e, por isso, é necessário conversar com os indígenas da aldeia Arroio Korá, onde o índio morava.

"Existe um histórico de vários conflitos na região envolvendo disputa pela terra". O  crime aconteceu em uma estrada de acesso de uma fazenda. O índio estava acompanhado do pai e iria para uma fazenda receber o pagamento por serviços prestados. O pai relatou à polícia que, antes de chegarem, foram abordados por um homem encapuzado que atirou com uma espingarda e com uma pistola diretamente no indígena. A vítima morreu no local.

O delegado disse que já interrogou o pai e o irmão da vítima, além do capataz e do proprietário da fazenda. Com base no relato das testemunhas, Moreira explicou que é “pouco provável” que a morte tenha qualquer relação com conflitos agrários, pois não havia qualquer desentendimento recente entre os índios da aldeia e os produtores da região.

O último conflito aconteceu no dia 10 de agosto do ano passado, quando os índios relatam que foram atacados por pistoleiros quando ocupavam área no entorno da aldeia. A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar o caso.

De acordo com a funerária responsável pelo transporte do corpo, o indígena foi entregue aos cuidados da família por volta de 23h de quarta-feira (13). O velório e o enterro serão realizados na aldeia. Não há informações sobre o horário.