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Policial

Polícia suspeita que rapaz ateou fogo em ossada para simular própria morte

No dia 22 do mês passado, Bruno havia registrado um boletim de ocorrência alegando ter sido vítima de uma tentativa de homicídio

Campo Grande News

04 de Dezembro de 2015 - 10:12

A polícia suspeita que houve simulação da própria morte no caso da ossada carbonizada, encontrada no porta-malas de um veículo na manhã desta quinta-feira (3), tenha sido forjado. Uma sacola - com documentos de identificação e um boletim de ocorrência - foi encontrada ao lado do veículo, mas isso não significa que sejam da vítima. A polícia apura de quem são os ossos e a motivação do crime.

Conforme informações do delegado titular da 7ª delegacia, Geraldo Marim, os ossos encontrados no carro não "completam" um corpo humano e estão em um estágio avançado de decomposição. "Ficou muito claro que a cena não é comum. Portanto, alguém pode sim estar tentando forjar o acontecido para favorecimento próprio ou qualquer outro motivo", explicou o delegado.

No porta-malas do carro havia quatro pneus, indicando que o criminoso teria usado o método “micro-ondas”, onde envolvem a vítima com a borracha e ateiam fogo, para acelerar o processo de queimar o corpo. Já os documentos encontrados do lado de fora do carro são de Bruno Franco de Godoi, 26 anos. O veículo também está no nome dele.

No dia 22 do mês passado, Bruno havia registrado um boletim de ocorrência alegando ter sido vítima de uma tentativa de homicídio. Quatro dias depois, a mãe dele foi até a delegacia registrar o desaparecimento do rapaz. "Ele disse que o namorado de sua ex-esposa havia ido até a casa onde mora e atirado duas vezes contra ele, mas essa acusação estava sendo apurado ainda", pontuou Marim.

A ex-namorada de Bruno, de 23 anos, foi ouvida pela polícia na tarde de ontem(03) e contou aos policiais que o rapaz "é uma pessoa emocionalmente instável, ela também já registrou vários boletins de ameaça contra ele".

Conforme a polícia, Bruno está desaparecido. Ele não foi encontrado na casa onde mora no bairro Almeida Lima, e a família dele, que é de Dourados, também não sabe de seu paradeiro. O rapaz já tem várias passagens pela polícia por crimes como estelionato, falsificação e porte de arma de fogo. "Vamos investigar o paradeiro dele, a origem da ossada e se o Bruno tem alguma relação com tudo que foi encontrado ontem", afirmou o delegado.

Caso tenha forjado a própria morte, Bruno pode responder por comunicação falsa de crime, fraude processual e vilipêndio de cadáver. O caso será investigado pela 7ª Delegacia de Polícia, no Jardim Panamá, e pelo SIG (Serviço de Investigações Gerais) do Departamento de Polícia Civil.

Achado - A ossada foi encontrada na tarde de ontem(03), em uma estrada vicinal que dá acesso a pista de aermodelismo, no minianel viário de Campo Grande, entre as saídas de Sidrolândia e Aquidauana. Policiais militares foram até o local, depois que um catador de latinhas encontrou o carro queimado e avisou o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops).

A perícia da Polícia Civil foi chamada pelos policiais e deve confirmar, após exames, se a ossada é da mesma pessoa identificada nos documentos encontrados. O laudo deve ficar pronto em até dez dias.