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Policial

Suspeita de crime de aborto poderia passar se corpo não estivesse "diferente"

Aline estava grávida de dois meses e teria viajado no começo da semana a Porto Murtinho para interromper a gravidez com ajuda de amiga.

Correio do Estado

09 de Dezembro de 2016 - 13:00

Crime de aborto que teria provocado a morte de Aline dos Reis Franco, de 26 anos, poderia ter passado sem investigação se, durante velório, amigos e familiares não tivessem percebido que havia algo de estranho.

Aline estava grávida de dois meses e teria viajado no começo da semana a Porto Murtinho para interromper a gravidez com ajuda de amiga. A jovem morreu na terça-feira (6) e teve o corpo recolhido quando era velado na Capital, ontem, para ser submetido a exame que vai atestar a causa morte.

À esquipe do Portal Correio do Estado, a mãe de Aline, Helemary Fátima dos Reis, 52 anos, contou que o velório e sepultamento havia sido articulado pela amiga com quem a jovem tinha se encontrado na cidade do interior. A mulher declarou, ainda, que suspeitava que a filha tivesse sido vítima de criminosos, já que acreditava que estivessem querendo esconder o verdadeiro diagnóstico e a certidão de óbito tivesse sido forjada.

No entanto, a informação foi negada pelo delegado Alex Sandro Antônio de Jardim, onde Aline morreu. “O atestado é verdadeiro, foi assinado por médico de Porto Murtinho, que acompanhava a jovem na ambulância para a Capital. Mas, houve complicação e ele teve que parar aqui na cidade, onde a morte aconteceu”, citou.

DÚVIDA

A causa da morte como insuficiência respiratória aguda e traumatismo cranioencefálico não convenceu a mãe de Aline que soube da intenção que a filha tinha de abortar, somente, depois que ela morreu. “Amiga me ligou dizendo que ela tinha tentado abortar, convulsionou e estava entre a vida e a morte”, citou Helemary. Depois do óbito, o corpo de Aline foi transladado por funerária para ser enterrado na Capital.

Quando chegou foi diretamente ser preparado para o velório, pois até o cemitério já havia sido definido pela amiga de Aline, lembrou a mãe.

Mas, enquanto a cerimônia de despedida acontecia, a aparência da jovem despertou atenção. “Amigos, pessoas da família e eu notamos que ela estava diferente. Inchada. Aquela não era a minha filha. Foi aí que decidi ir à delegacia e o delegado pediu para suspender o velório”, contou a mãe. O corpo foi submetido a exame de necropsia para atestar a verdadeira causa da morte e ainda não há previsão para o resultado.

CRIME SEM SER NOTADO

Em entrevista na manhã de hoje o delegado de Jardim, que trabalha em investigação junto com a polícia de Porto Murtinho, revelou que certidão de óbito foi declarada com acompanhamento médico, baseada em sintomas. “O corpo é submetido à necropsia quando há suspeita de violência. Não era o caso. O médico não tinha a informação do aborto. A jovem passou mal, convulsionou e morreu. Até então era causa natural. O caso teve outro desfecho no velório”, citou Alex Sandro.

A reportagem tentou falar com o médico que assinou o atestado de óbito, que trabalha para o hospital municipal de Porto Murtinho. O objetivo era saber se a morte de uma jovem aos 26 anos não chamou atenção do especialista e se sabia se a jovem sofria de alguma doença crônica que pudesse reforçar a morte natural, como foi declarada. No entanto, funcionária atendeu a ligação e disse que hoje é ponto facultativo na cidade e não havia nenhum responsável para falar sobre o caso.

Também foi tentado contato com delegado de Porto Murtinho, que atende em Guia Lopes da Laguna, mas telefonemas não foram atendidos.