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Policial

Vereador que teria chamado jornalista de ‘sapatão’ vira caso de polícia

O vereador negou que tivesse falado contra a opção sexual da jornalista, mas ao ser informado sobre a existência das gravações, alertou para possível "montagem".

Midiamax

28 de Fevereiro de 2011 - 15:46

A jornalista e ex-assessora de imprensa da prefeitura de Porto Murtinho, Débora Louise Gardin (26), denunciou o vereador e radialista Edicarlos Lourenço (PR) por injúria e difamação supostamente praticadas durante o programa diário de rádio que ele mantém em uma emissora FM no Paraguai. Os fatos foram relatados por Débora à delegacia de Polícia Civil no dia 3 de fevereiro.

De acordo com o boletim de ocorrência, Edicarlos teria chamado a jornalista de "sapatão sem vergonha, que usa entorpecente e que pega as menininhas na calada da noite", embora em um trecho de gravação feito em 21 de janeiro não haja citação expressa do nome de Débora.

"(...) o prefeito me contrata o diabo duma sapatão para vim infernizar ainda mais Porto Murtinho. Ainda dá a ela um espaço de rádio, pago pela prefeitura municipal".

Questionada sobre como definiria sua opção sexual, Débora disse: "não gosto de rótulos, mas independente de ser homossexual ou não, me senti ferida com as agressões do vereador. Ele detém um cargo público para defender e representar o povo". A ex-assessora também rebateu as acusações de que seria usuária de drogas. "Isso é mentira, ele é um mentiroso", disse.

Na última terça-feira (22), novo episódio envolveu Débora e Edicarlos durante sessão plenária na Câmara. A fala do vereador foi interrompida pela manifestação da ex-assessora, que entrou no plenário usando máscara e carregando um cartaz com as expressões "Edicarlos - vc é mara e eu calço 34!" e "Homofobia é sinônimo de homossexual enrustido". Ao ver o protesto, Edicarlos comentou na tribuna: "enquanto tiver gente que pratica, que age de má-fé em Porto Murtinho, e induzem os jovens ao mau caminho, o vereador Edicarlos vai bater forte".

Edicarlos é conhecido na cidade por tratar de assuntos polêmicos e fazer críticas em seu programa mantido na FM Alto Paraguay (99,9 Mhz). "Tá errado, tem que apanhar. Desço o cacete mesmo", diz.

Procurado pela reportagem para comentar as acusações, o vereador atribuiu a motivação do caso a manobras políticas de pessoas que tentam tirá-lo da emissora. "Tudo começou porque eu fiz críticas ao trabalho da prefeitura, e essa menina foi manipulada para me criticar de volta em outra rádio. Ela deu pancada na gente no rádio e tomou de volta. Já pagaram para me tirar da rádio uma vez, e voltei com apoio do governo paraguaio", declarou.

O vereador negou que tivesse falado contra a opção sexual da jornalista, mas ao ser informado sobre a existência das gravações, alertou para possível "montagem".