Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Sexta, 5 de Março de 2021

Política

Atrás na disputa da Câmara, Tebet sobe tom crítico ao governo federal

Correio do Estado

21 de Janeiro de 2021 - 15:30

Atrás na disputa da Câmara, Tebet sobe tom crítico ao governo federal
EMBATE. Na corrida pelo posto mais importante do Senado, Simone Tebet aumenta tom contra União - Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado

A senadora e candidata à presidência do Senado, Simone Tebet (MDB), quer a volta dos trabalhos do Congresso Nacional por conta do agravamento da crise sanitária ocasionada pelo novo coronavírus (Covid-19).

Segundo a senadora, a falta de oxigênio e leitos que está acontecendo no Amazonas abriu um sinal de alerta para toda a sociedade, uma das prerrogativas, tanto do Senado quanto da Câmara, é apurar as possíveis responsabilidades dos gestores na condução da crise.

O tom mais crítico ao governo federal pode ser encarado como uma ofensiva mais ativa da parlamentar para a disputa da Mesa Diretora da Casa de Leis.

Questionada se ela acha viável a possibilidade de existir uma comissão do Congresso Nacional para analisar as possíveis irregularidades do governo federal, Tebet afirmou que, por conta da gravidade da situação, nada deve ser negado neste momento.

“Esse fato nos exige a necessidade de ouvirmos os colégios de líderes. Ou seja, nada impede uma análise criteriosa, para que tal aconteça no País – se está tendo responsabilidade ou não de agentes públicos. Além disso, temos outros órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público e o Judiciário. Eles poderão exigir do Congresso Nacional a tomada de determinadas atitudes”.

RETORNO

A volta aos trabalhos também é um dos desejos do atual presidente da Câmara, encarado pelo Planalto como inimigo político, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Esse movimento de extinguir as férias legislativas pode abrir precedente para abertura de um processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), pois a oposição afirma que a omissão do governo no combate à pandemia, potencializada com o agravamento de falta de oxigênio nos hospitais do Amazonas, pode configurar crime de responsabilidade fiscal.

Esse fato daria base jurídica para a possível abertura de impedimento do chefe do Executivo Nacional.

A senadora não fala claramente se vê base jurídica para esse processo, porém enfatizou que “o Congresso Nacional é a caixa de ressonância da sociedade”. Muitos analistas dizem que impeachment é um julgamento mais político do que técnico (ou jurídico), o que vem de encontro à frase dita por Tebet sobre o tema.

“O Congresso é a voz da sociedade, nele nós temos os pensamentos mais plurais, com instrumentos constitucionais que têm a função de analisar alguma atitude nacional que não seja correta e apontá-la, garantindo assim a segurança jurídica para a peça que busca pautas propositivas para o País".

"Ou seja, precisamos estar atentos ao que está acontecendo no País e representar de fato nossa sociedade, cumprindo a função que nos foi dada por ela”, explicou.

JOGO PESADO

Seu adversário Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tem o apoio do Planalto Central e, segundo a parlamentar, ele usufrui dessa ferramenta para oferecer emendas e cargos em troca de apoios.

“A nossa candidatura começou praticamente agora, mas o candidato adversário tem a máquina do governo na mão – Senado, ministérios, distribuição de cargos e emendas –, além de uma estrutura que lhe dá a possibilidade de pegar um avião e visitar o município que quiser no País, para reunir suas bases".

"Já nossa campanha é diferente de ideias, de formar um bloco a favor do Brasil, ganhando ou perdendo, nós já temos uma grande aliança democrática em nossa nação”, analisou em tom crítico.

Além de lutar contra esse mecanismo federal, a senadora ainda afirmou que outro adversário entrou em cena nas eleições do Senado deste ano. Segundo a candidata, ela vem sendo alvo de fake news dentro do Congresso Nacional.

“Em tempos de desinformação, esse tipo de disseminação mentirosa entrou no jogo, infelizmente. Além de lutar contra o candidato preferido do atual presidente e que tem a simpatia do governo federal, ainda temos de lidar com esse tipo de medida rasteira".

"No entanto, eu pertenço à maior bancada do Senado e ao partido mais tradicional da história brasileira, por isso, essas ações não vão abalar minha empreitada”, declarou.