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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Segunda, 21 de Setembro de 2020

Política

David avalia que operação foi para intimidar a defesa e garante que Jamil ‘é inocente, não é bandido

Olindo acha estranho que não tenha havido busca e apreensão nos escritórios dos demais advogados que atuam no processo.

Flávio Paes/Região News

18 de Março de 2020 - 08:45

Um dos alvos da segunda fase da operação Omertà, o advogado David Olindo, está convencido de que a busca e operação realizada logo nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira na sua casa na Rua Rio de Janeiro e no seu escritório, na Rua Distrito Federal, foi uma estratégia do Ministério Público para intimidá-lo como advogado de defesa de Jamil Name. Ele acha estranho que não tenha havido busca e apreensão nos escritórios dos demais advogados que atuam no processo.

“Por que vieram no escritório do David”, questiona e ele em seguida responde: “Porque o David na audiência de instrução e julgamento, foi quem fez as perguntas que interessam no processo do homicídio. Estive lá pra fazer a defesa técnica do Jamil Name, que tenho absoluta convicção que não tem nada a ver com esta acusação. Vou atuar de forma republicana, sem procurar ou intimidar testemunhas”, garante e acrescenta.

“O Jamil pode se um mal-educado, mas não é bandido. Seu maior erro foi ter amado demais o filho e não o ter corrigido a tempo”. Olindo está convencido de que até aqui só há evidências, não provas, até mesmo contra Jamil Name Filho, de que ele teria encomendado a morte do ex-capitão da Polícia Militar, Paulo Xavier, mas os pistoleiros acabaram matando por engano o filho dele, Matheus Coutinho Xavier, em abril do ano passado.

A suspeição de que teria atuado na intimidação de testemunhas, pode ter surgido a partir de uma conversa que manteve por WhatsApp com o conselheiro Jerson Domingos (também alvo da operação) em que o ex-deputado revela o teor de conversa com o procurador-geral de Justiça, Paulo Cesar Passos, que lhe relatou especulações sobre possível ameaça contra promotores e delegados envolvidos na operação.

Na avaliação de David, a força tarefa até aqui só tem como evidência, uma a frase atribuída a Jamilzinho de que mataria do picolezeiro ao governador. “Foi uma fanfarronice de quem toma remédio tarja preto, que merece muito mais estar numa camisa de força do que num presídio”. Ele está convencido de que com o apurado até aqui, a Justiça venha condenar os réus.

Explicação

Segundo a versão divulgada pelo Ministério Púbico, um bilhete escrito em papel higiênico por detento do presídio federal de segurança máxima de Mossoró (RN) foi estopim para a nova fase da operação Omertà, que investiga grupo de extermínio em Mato Grosso do Sul.

Conforme nota divulgada nesta tarde pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o responsável pelas anotações ficava entre as celas de Jamil Name, 80 anos, e Jamil Name Filho, (42 anos) e anotava todas as conversas que ouvia entre eles e dois advogados, identificados como David Moura de Olindo e Adailton Raulino Vicente da Silva, ex-delegado de Polícia Civil. Ambos foram alvo de busca, o primeiro em Sidrolândia (MS) e o outro em João Pessoa (PB).

O “relatório” do preso aponta que as ordens de execução eram destinadas a dois promotores do Gaeco e ao delegado do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestro) Fábio Peró e sua família.

Jamil Name e Jamil Name filho estão na ala destinada a presos reclusos em RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) do presídio de Mossoró. Também estão no presídio o guarda Marcelo Rios e os policiais Vladenilson Omedo, o "Vlad" e Márcio Cavalcanti da Silva.

Agora documento da investigação, o papel com as anotações foi anexado à medida investigatória em que foram autorizadas as buscas feitas, pelo juiz Marcelo Ivo de Oliveira, da 7ª Vara Criminal. Confira a entrevista em vídeo do advogado David Olindo.

Garras faz busca e apreensão em Sidrolândia no escritório do advogado de Jamil Name

A casa e o escritório do advogado de Jamil Name, em Sidrolândia, foi alvo da segunda fase da operação Omertá. Policiais levaram documentos e equipamentos eletrônicos. Assista.

Publicado por Regiao News em Terça-feira, 17 de março de 2020