Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quinta, 19 de Maio de 2022

Política

Deputado sai em defesa de Giroto e diz que Puccinelli era comandante

O deputado Paulo Corrêa (PR), tem opinião diferente e entende que é difícil imaginar que o governador André Puccinelli não sabia do que acontecia no governo dele

Midiamax

13 de Novembro de 2015 - 10:41

A Operação Lama Asfáltica mal começou e já tem colocado amigos de longa data em lados opostos. Por enquanto, pelo menos midiaticamente, não há briga entre o ex-deputado federal Edson Giroto (PR) e o ex-governador André Puccinelli (PMDB). Porém, nos bastidores, aliados adotam estratégia que pode azedar a amizade desde que Puccinelli começou a comandar Campo Grande, em 1996.

Logo que estourou a operação Lama Asfáltica, com questionamentos sobre o Governo de André Puccinelli, iniciou-se uma discussão sobre quem seria o culpado, caso comprovasse o desvio milionário, que está sendo apurado pela Controladoria-Geral da União, Ministério Público Federal, Polícia Federal e Ministério Público estadual, e foi ai que o clima não ficou nada bom.

O deputado estadual Renato Câmara (PMDB), por exemplo, disse que o caso é isolado e que o secretário, no caso Giroto, tem autonomia como ordenador de despesa. “Não se pode assumir a responsabilidade por terceiros”, justificou.

Companheiro de partido de Edson Giroto, o deputado Paulo Corrêa (PR), tem opinião diferente e entende que é difícil imaginar que o governador André Puccinelli não sabia do que acontecia no governo dele.

“Há aí uma confusão. Mesmo ele não sendo o ordenador de despesa, é o comandante e chefe e ninguém faz nada sem que ele saiba. Igualzinho falar que o governador não manda na Polícia Militar. Tem o comandante e o secretário de Segurança, mas quem dá ordens para fazer ou não é o governador”, analisou.

Paulo Corrêa e peemedebistas trabalham com a possibilidade de absolvição do grupo e tentam minimizar o estrago político. Isso porque Giroto, por exemplo, era cotado para disputar a Prefeitura de Campo Grande e André Puccinelli continua sendo uma das maiores lideranças do PMDB em Mato Grosso do Sul.

Puccinelli é o favorito do partido para disputar a Prefeitura de Campo Grande, mas diz que não quer. Ele se recusa a ser prefeito, mas não descarta voltar a concorrer ao Governo do Estado em 2018.

A Lama Asfáltica teve início com suspeita de desvio de 11 milhões em obras, mas a polícia levou mais de 30 contratos da gestão de Puccinelli para análise. Neste período o próprio governo de Azambuja fez outra auditoria, que acabou encontrando indícios de desvios de mais de R$ 11 milhões em três obras de rodovia. Foi por um destas obras, inclusive, que o Ministério Público Estadual pediu a prisão de nove homens fortes no governo de Puccinelli.

O Caso

O juiz Carlos Alberto Garcete decretou a prisão temporária, por cinco dias, de nove investigados na Operação Lama Asfáltica, que investiga a gestão do ex-governador André Puccinelli (PMDB).  Todos eram protagonistas e ligados à secretaria de Obras do Estado.

A lista é composta pelo ex-deputado federal Edson Giroto (PR), de João Alberto Krampe Amorim dos Santos, Átila Garcia Gomes Tiago de Souza, , Elza Cristina Araújo dos Santos,  Maria Wilma Casanova Rosa, Maxwell Thomé Gomez, Rômulo Tadeu Menossi, Wilson Cabral Tavares e Wilson Roberto Mariano de Oliveira.

Segundo assessoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, a investigação refere-se à licitação de contrato da Proteco que tinha a obrigação de “recuperação da estrutura da faixa de rolamento da rodovia MS-228, com aplicação de revestimento primário e implantação de dispositivos de drenagens, numa extensão de 42 km – Local: Rodovia MS-228, entre Km 35,0 e Km 77,0, no município de Corumbá.

O juiz entendeu que o material apresentado pelo Ministério Público justificava o pedido de prisão: “Há farta documentação a indicar, prima facie, que, possivelmente, consolidou-se uma organização criminosa com objetivo de auferir vantagens ilícitas em contratos administrativos de obras e serviços com o Estado de Mato Grosso do Sul, consistente em falsificações de medições e outras ações escusas que objetiva receber por serviços não realizados ou realizados de forma insuficiente”, ponderou.

Garcete declarou ainda que a prisão temporária dos representados seria fundamental para a conclusão das investigações. “A prisão temporária dos investigados é imprescindível, diante do possível direcionamento e manipulação da prova oral dos investigados, aliado à criação de óbices para a coleta de novos dados (art. 1º, I, da Lei n. 7.960/89), de modo que a medida permitirá que os representados sejam ouvidos, separadamente, acerca dos fatos, sem que tenham como combinar eventual versão e assim conseguirem mascarar a realidade dos fatos, consoante o art. 191 do CPP, além de garantir a segurança física e psicológica das testemunhas que já colaboraram, e colaborarão nas investigações”.