Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quinta, 26 de Maio de 2022

Política

Dilma tem que equilibrar Orçamento para poupar Bolsa Família , diz relator

Nesta terça, Dilma criticou proposta de cortar verba do programa social. Deputado ainda afirmou que não pode considerar receita da CPMF para 2016

G1

22 de Outubro de 2015 - 16:53

O relator do projeto de Orçamento de 2016, deputado Ricardo Barros (PP-PR) respondeu nesta quinta-feira (22) as críticas da presidente Dilma Rousseff à proposta de cortar R$ 10 bilhões do programa Bolsa Família. O deputado afirmou que, se Dilma quer evitar o corte, precisa enviar ao Congresso um Orçamento equilibrado, com previsão “consistente” de receitas.

Principal bandeira dos governos do PT, o Bolsa Família prevê repasses mensais de recursos para famílias de baixa renda. Depois de Barros anunciar que vai tirar 35% dos R$ 28,8 bilhões previstos para o programa social, a presidente declarou nesta quarta (21), em sua conta no Twitter, que a medida seria o mesmo que “atentar contra 50 milhões de brasileiros”.

Ricardo Barros ironizou a declaração dizendo que fica satisfeito em ver que Dilma está se envolvendo “pessoalmente” na discussão orçamentária e disse esperar que o Planalto evite esse corte apresentando um Orçamento verdadeiramente equilibrado.

“Fico satisfeito que a presidente tenha pessoalmente se envolvido na questão dos cortes e espero que a mensagem modificativa que o governo enviará ao Congresso permita evitar essa retirada de recursos. Para isso, o governo precisa enviar um Orçamento equilibrado, com receitas seguras”, afirmou.

De acordo com o relator, a proposta de cortar R$ 10 bilhões do Bolsa Família, impediria o ingresso de novos beneficiários, mas as famílias atualmente cadastradas continuariam a receber os recursos.

O deputado destacou que não vai computar como receita os recursos que o governo pretende obter com a possível volta da CPMF. O retorno do imposto sobre movimentação financeira é a principal proposta do pacote de redução de gastos e aumento de tributos anunciada pela equipe econômica para reduzir o rombo de pelo menos R$ 30,5 bilhões no Orçamento do ano que vem. A CPMF responde por metade dos R$ 64 bilhões que o governo pretende obter com o ajuste fiscal.

“A CPMF, nós não vamos considerar. Temos que ter receitas que o mercado possa confiar. Eu até vou votar a favor da CPMF, mas esse projeto não vai ser votado neste ano e as pessoas não acreditam que vá passar. Queremos um orçamento com receitas consistentes”, disse Ricardo Barros.

Orçamento 2016

O projeto orçamentário para o próximo ano entregue ao Congresso tem estimativa de déficit (gastos maiores que receitas) de R$ 30,5 bilhões, o que representa 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Foi a primeira vez na história que o governo federal entregou a proposta de orçamento com previsão de déficit. O documento traz ainda a previsão de crescimento econômico de 0,2% e de inflação de 5,4% no ano que vem. O governo propõe elevar o salário mínimo para R$ 865,50 em 2016. Hoje, o valor é de R$ 788.

Desde que recebeu a proposta orçamentária do governo, o relator Ricardo Barros tem afirmado que a equipe econômica poderia ter cortado mais despesas e equilibrado o Orçamento, se tivesse incluído programas sociais no ajuste fiscal. Para ele, o governo não cortou mais por “questões ideológicas”.