Política
Maia diz que Temer precisará reorganizar base para conseguir aprovar projetos
Prosseguimento da segunda denúncia contra presidente foi barrado pela Câmara por um placar menor do que a primeira, em agosto. Maia diz que quer priorizar reforma da Previdência.
G1
26 de Outubro de 2017 - 08:12
Após os deputados barrarem o prosseguimento da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quarta-feira (25) que o Palácio do Planalto precisará trabalhar para reorganizar a base aliada para conseguir aprovar projetos de interesse do governo.
Por 251 a 233 votos, o plenário da Câmara livrou Temer de ser processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de organização criminosa e obstrução à Justiça.
O número de votos, porém, ficou abaixou do placar obtido na primeira denúncia, por corrupção passiva, em que Temer obteve 263 votos (227 contrários).
O presidente é um homem experiente, viveu talvez o momento mais difícil da história política dele. Ele, certamente, a partir de agora, vai refletir e vai avaliar quais são as melhores condições para que ele possa restabelecer uma base para aprovar projetos de interesse do governo, afirmou Maia.
Ele, porém, não quis opinar sobre o que Temer deverá fazer para reorganizar a base.
Eu não vou ficar ensinando o presidente da República, que foi presidente da Câmara três vezes, como é que ele tem que manter a relação dele com o parlamento, disse.
Maia anunciou ainda uma série de propostas que pretende levar adiante nos próximos meses, como a reforma da Previdência e temas ligados à área da segurança pública.
Apesar da redução da base aliada, o presidente da Câmara disse acreditar que esses assuntos terão apoio de grande parte dos deputados por serem questões que afetam toda a população. (confira abaixo a lista).
"É um momento de desgaste para a Câmara dos Deputados e a melhor resposta é continuar trabalhando, legislando e priorizando projetos que vão no eixo da geração de empregos e recuperação econômica do nosso país", defendeu.
O desafio do governo de reorganizar a base aliada será ainda maior para conseguir aprovar mudanças na Constituição, como a reforma da Previdência, que exigem 308 votos no plenário.
O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), reconhece que haverá certa dificuldade, mas se mostrou confiante na aprovação das reformas.
"Tem muita gente que votou a favor da denúncia, mas se diz comprometido com reformas, um exemplo disso é o PSDB. Além disso, ano que vem temos calendário eleitoral. Ainda que se vote em um tamanho menor, é um tema que deve ser enfrentado na eleição", explicou.
"A partir de agora a base vai fazer uma avaliação. Temos menos de dois meses para votar a agenda do governo. O Rodrigo Maia já colocou que há uma agenda do parlamento. Por isso, vamos ter que elencar e ajustar uma agenda que é de interesse do país", disse o líder.
Confira a pauta que a Câmara deverá priorizar a partir de agora, segundo Maia:
Reforma da Previdência
O presidente da Câmara disse que a reforma deverá ser reduzida e que os deputados vão focar em acabar com privilégios: como mudar a idade mínima e reformar o serviço público.
"O maior programa de transferência de renda do Brasil é a previdência, dos pobres para os ricos, principalmente para o serviço público. Por isso, insistimos tanto em reformar a Previdência para acabar com os privilégios", afirmou.
Segurança Pública
Maia disse que foi criado um grupo de trabalho com juristas para elaborar propostas para combater, principalmente, o tráfico de armas e de drogas. Ele espera colocar em votação alguns projetos sobre segurança em novembro e os que saíram da comissão a partir de março.
Saúde
A Câmara deve apreciar um projeto que regulamenta os planos de saúde. Segundo Maia, a proposta deve "tirar a pressão do sistema de saúde pública".
Energia
O presidente disse também que deverão estudar um projeto que mude o sistema de energia brasileiro. De acordo com Maia, hoje 95% da energia produzida no Brasil é de hidrelétricas, o que precisaria ser revisto.
Petróleo
Maia disse que os deputados deverão também estudar mudanças no sistema de partilha de concessão de petróleo. O projeto deverá beneficiar, principalmente, a Petrobras, que, segundo ele, está "descapitalizada".




