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Política

Marcelo desarticula oposição e consolida Jean na presidência da Câmara

Ontem à noite 11 vereadores (eleitos e reeleitos) voltaram se reunir e reafirmaram o compromisso de votar na chapa encabeçada por Jean.

Flávio Paes/Região News

30 de Dezembro de 2016 - 09:47

O prefeito eleito Marcelo Ascoli conseguiu desarticular o bloco de oposição com 8 integrantes, conteve a rebelião do maior aliado, PMDB, consolidando  Jean Nazareth como virtual presidente da Câmara no biênio 2017/2018 a ser eleito no próximo domingo, a partir das 8 horas.

Ontem à noite 11 vereadores (eleitos e reeleitos) voltaram se reunir, desta vez na casa de Jean, onde além de saborearem o cardápio a base de peixe, reafirmaram o compromisso de votar na chapa encabeçada por Jean.

O petista, no processo de negociação eleitoral reforçou novos aliados na campanha de Marcelo quando abriu mão da vaga de vice em favor do PMDB, também contemplado no secretariado com duas das mais importantes Secretarias da administração: Infraestrutura e Saúde, além da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, entregue a advogada Elaine Brito, filiada ao partido.

Além de praticamente ter emplacado o nome de sua preferência para presidir a Câmara, Marcelo, 48 horas antes de tomar posse, potencialmente, mais que dobrou sua base de apoio de 5 vereadores (a bancada eleita no seu palanque) para 11, primeiro atraindo os dois eleitos na coligação do empresário Haroldo Calves (terceiro colocado na disputa para prefeito) e agora, metade dos oito eleitos nas coligações do PSDB.

Como parte desta estratégia, o futuro prefeito se desarmou do discurso eleitoral, adotou a retórica da conciliação e continuidade, poupando de críticas a atual gestão. Mas, sobretudo, atuou fortemente nos bastidores, circulando por todo o espectro político com influência na cidade.

Marcelo percebeu que a eleição da vereadora Vilma Felini não interessava ao projeto político do presidente do Detran, Gerson Claro, que é buscar em 2018 uma vaga na Assembleia Legislativa, se reuniu várias vezes com ele e com isto garantiu o voto do vereador Edno Ribas (muito ligado a Gerson), indicado para compor a futura Mesa Diretora como 1º secretário.

Edno se diz aberto a renunciar ao cargo, se esta for à condição para atrair o 5º voto na oposição, o 12º da chapa encabeçada por Jean. Além da eficácia conversação que manteve em seu favor, Marcelo contou com a desarticulação do bloco de oposição que se dispersou fechada as urnas. “Não se definiu uma estratégia. Vez ou outra surgiam comentários de que este ou aquele integrante do grupo pretendia se apresentar como candidato a presidente. Ficamos órfãos, sem uma voz de comando”, relata um dos integrantes do bloco dos 8 eleitos nas coligações lideradas pelo PSDB.

O prefeito Ari Basso e o presidente da Agraer, Enelvo Felini, tentaram costurar o entendimento para garantir a eleição da vereadora Vilma Felini, mas a tarefa fracassou. Nem o próprio futuro colega de bancada da vereadora, Valdecir Carnevalli (Ganso), se interessou pelo projeto. O presidente da Câmara, David Olindo, orientou seu filho, o vereador eleito Carlos Henrique, que optou pela candidatura de Jean, em alinhamento com o posicionamento de Marcelo.

"O prefeito tem três votos no bloco do PSDB”, antecipou no meio da semana, David, o que para muita gente soou como blefe, que na realidade, não era. Além de Carlos Henrique, aderiram à candidatura de Jean; Edno Ribas, Otacir Figueiredo e Cledinaldo Cotócio, até então um dos mais resistentes a sair do barco oposicionista.

Isto foi determinante para sufocar o esboço de rebelião do PMDB, interessado na eleição do professor Carlos Tadeu que optou pela composição, ficando com a vice-presidência. Marcelo Ascoli mostrou ser habilidoso ao construir a presidência da Câmara com o petista Jean Nazareth, isto porque, o PT só elegeu Jean, enquanto o PMDB tem maior bancada (três vereadores), como se não bastasse, costurou votos em praticamente todas as agremiações com assento na Câmara, com exceção do PSDB que deve votar nulo.