Política
Marun diz que não abrirá mão de pedir apoio à reforma da Previdência
Marun defendeu ainda o decreto do indulto natalino, suspenso parcialmente ontem pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia
Agência Brasil
29 de Dezembro de 2017 - 13:23
O ministro da secretaria de Governo, Carlos Marun, disse hoje (29), em Brasília, que não abrirá mão de pedir apoio à reforma da Previdência para todos os agentes públicos. Marun voltou a negar que tenha condicionado a liberação financiamentos em bancos públicos para os governadores ao comprometimento deles na busca de votos para aprovar a reforma da Previdência.
A verdade é que não está sendo condicionado, mas também é verdade que não vamos abrir mão de pleitear o apoio dos agentes públicos e, especialmente, daqueles que estão sendo beneficiados por ações do governo, disse, ao participar de cerimônia de assinatura da liberação de R$ 951,26 milhões em empréstimos da Caixa a campanhas estaduais de saneamento do Espírito Santo, Pernambuco, Goiás e Rio Grande do Sul.
Marun disse que não segue a cartilha do politicamente correto. Nessa cartilha, não cabe muitas vezes à verdade, a necessidade de se falar em gratidão, mas cabe a hipocrisia e mentira, disse. Ele comparou a nazistas quem estaria propagando mentiras sobre sua fala relacionada ao apoio à reforma da Previdência. É como o nazismo em que uma mentira que se repete à exaustão e se transforma em verdade, disse Marun.
Para o ministro foram propagadas duas mentiras. Uma delas seria a negação de que a Caixa tem como razão de existência a sua missão de conduzir e executar políticas públicas. É mentira que a Caixa não existe para isso, disse, ao lado do presidente da instituição financeira, Gilberto Occhi.
Outra mentira é que estaria condicionando apoio a reforma da Previdência a qualquer ação governamental, destacou. O ministro desafiou a encontrar em sua fala qualquer chantagem. Não vão achar, disse, durante a assinatura dos contratos.
Após participar da cerimônia, o ministro disse a jornalistas que vai pleitear apoio em conversas, tentando conscientizar sobre a necessidade de todos terem responsabilidade. Para aprovar a reforma da Previdência temos que parar? Não. Temos que atuar e esperamos de todos os agentes públicos responsabilidade, mas não condicionando e não chantageando como, de forma de mentirosa, foi posto à população, acrescentou. Marun garantiu que mesmo os governadores que não estão alinhados com a aprovação da reforma estão sendo beneficiados por ações do governo.
Durante a cerimônia, o governador de Goiás, Marconi Perillo, defendeu Marun. Defendo que todo mundo ajude o Brasil e isso significa reciprocidade. Cabe a nós, que estamos sendo beneficiados com muitas ações do governo, ajudar.
Para o governador, os estados e as cidades estão sendo atendidas pelo governo. Como não reconhecer esse esforço, os prefeitos estão sendo atendidos, nós estamos sendo atendidos. O Brasil vai quebrar, vai falir se a gente não tomar medidas responsáveis, disse. Perillo acrescentou que, se não houvesse déficit na Previdência, no estado seria possível investir em outras áreas de interesse da população.
Após o encerramento do evento, o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, negou que o governo federal tenha exigido o apoio à reforma da Previdência para a liberação de empréstimos. Não tem essa posição para ninguém e nunca recebemos de ninguém condicionamento do Palácio, disse.
Questionado sobre a redução de cerca de R$ 1,5 bilhão no financiamento ao setor público, de acordo com o último balanço do banco, Occhi argumentou que esses dados ainda não são do ano fechado. Não terminou. Então, aguardem os números da Caixa, em março a gente vai divulgar. Não tem uma queda, estamos assinando contratos hoje e vamos assinar ainda amanhã. Ainda é um último dia para empenhar, para contratar. Isso vamos fazer. Os números serão bem melhores, afirmou.
Indulto de Natal
Marun defendeu ainda o decreto do indulto natalino, suspenso parcialmente ontem pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia. É uma ação humanitária que historicamente, desde o Império, beneficia condenados por crimes não violentos, que tenham bom comportamento e cumprido parte da pena. A edição deste decreto segue rigorosamente todos esses princípios, destacou.
Marun disse não ter conhecimento sobre a edição de novo decreto. Não sei, quem está tocando essa questão é o ministro [da Justiça] Torquato [Jardim], disse.




