Política
"Não tem fórmula mágica", diz Rodrigo Maia sobre reforma da Previdência
Presidente da Câmara defendeu, após reunião na Fazenda, proposta do governo que muda regras para aposentadoria pelo INSS e disse que idade mínima de 65 anos é "defensável."
G1
03 de Março de 2017 - 13:00
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, defendeu nesta sexta-feira (3) a proposta do governo Michel Temer para a reforma da Previdência, já em discussão no Congresso, e disse que não adianta achar que vai ter fórmula mágica para resolver o déficit crescente do INSS.
Qualquer despesa tem que ter receita para cobrir. Por exemplo: aposentadoria rural. Tem muito pouca contribuição e representa R$ 100 bilhões dos R$ 150 bilhões de déficit do RGPS [INSS]", disse Maia, após participar de uma reunião no Ministério da Fazenda, em Brasília, que abordou a tramitação da proposta do governo de reforma da Previdência.
O regime de previdência do setor privado é dividido em rural e urbana. A primeira, que atende aos trabalhadores que atuam no campo, é responsável pela maior parte do déficit do sistema. Uma das razões é que, hoje, os trabalhadores rurais não precisam comprovar contribuição previdenciária para ter direito à aposentadoria.
Por conta disso, o governo federal já informou que pretende tornar obrigatória a contribuição previdenciária dos trabalhadores rurais. A expectativa do governo é quadruplicar essa arrecadação.
"Não adianta a gente imaginar que tem solução que não passe pela aposentadoria rural. E o governo não está propondo uma supertaxação, mas sim uma taxação mínima, declarou Maia. Ele disse que a reforma da Previdência pode ser votada pelo plenário da Câmara na segunda quinzena de abril.
Novas regras
Após encontro com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e com o secretário de Previdência da pasta, Marcelo Caetano, Maia também defendeu a manutenção das regras propostas pelo governo para a reforma da Previdência Social.
Entre as mudanças está a criação da idade mínima de 65 anos para homens e mulheres terem direito à aposentadoria. Segundo Maia, "65 anos é uma idade mínima bastante defensável."
O projeto também prevê uma regra de transição, que define quem é ou não atingido pela reforma, e que fixa 45 anos ou mais, para mulheres, e 50 anos ou mais, para homens.
O presidente da Câmara também defendeu as alterações propostas pelo governo no Benefício de Prestação Continuada (BPC) pelas quais a idade mínima passará de 65 anos para 70 anos. Já a transição durará dez anos para a nova idade estipulada. O valor do benefício agora também passaria a ser definido em lei. Atualmente, ele é baseado no salário mínimo.
O BPC não é previdência, é assistência. Como é assistência, hoje consome de forma correta R$ 45 bilhões no orçamento, o que é muito dinheiro, muito dinheiro para uma política social que desde o governo Itamar [Franco], desde que a lei foi aprovado, vem dando seus benefícios, mas chegou em um momento em que precisa reorganizar o BPC. Acredito que a proposta que o governo encaminhou é correta, disse Maia.
Ele também declarou que mudou de ideia e passou a defender também as regras de transição propostas pelo governo na reforma encaminhada ao Congresso Nacional.
A regra de transição vai ter polêmica sempre. Porque em qualquer ponto que você faça, alguém vai ficar fora. Por mais que você possa mexer, quem ficar fora vai reclamar também. A posição do secretário Caetano [do Ministério da Fazenda] está certa, declarou.
Parlamentares têm mostrado resistência à regra de transição proposta pelo governo Temer. O próprio relator do projeto, deputado Arthur Maia (PPS-BA), defendeu que o tema seja melhor analisado."




