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Política

Para deixar oposição, grupo tucano quer trocar Brasília por SP

A cúpula do partido no Estado lamenta a mudança, que considera "eleitoralmente muito ruim" mas diz que não há condição de demovê-los.

Folha.com

23 de Setembro de 2013 - 08:30

Dizendo-se frustrados com o papel de oposição e com o peso da máquina do governo Dilma Rousseff (PT), deputados federais do PSDB tentarão em 2014 trocar a Câmara em Brasília pela Assembleia Legislativa de São Paulo, Estado que desde 1995 é comandado pelo partido.

Eles são ao menos três: Carlos Roberto, Luiz Fernando Machado e Vaz de Lima. A principal decepção apontada por tucanos ouvidos pela Folha é o "esvaziamento" do mandato de um deputado que não pertença à base de sustentação do governo.

Na Câmara, a oposição tem hoje apenas cerca de 90 dos 513 deputados. Além dos 49 tucanos --13 deles de São Paulo--, só DEM, PPS e PSOL votam contra o Planalto.

Sem influência nas principais decisões, que acabam concentradas nos líderes de bancada, os deputados demonstram desgaste e afirmam que, para escapar dele, estão dispostos até a trocar o Congresso Nacional por um Legislativo que tem atribuições mais limitadas.

A queixa inclui também a dificuldade em obter recursos para projetos apresentados por meio de emendas parlamentares. Segundo um levantamento da Folha, o Executivo paga 30% do valor pedido por deputados da base, contra 21% do solicitado por parlamentares de oposição.

"O sentimento é exatamente esse: frustração. Ser oposição em Brasília é muito difícil", diz Carlos Roberto.

"Meu problema não é o PT. É a máquina federal, que parece que não anda. Ela é pesada, grande e pouco eficiente no contato com os deputados", afirma Luiz Fernando.

Os dois também reclamam do distanciamento de suas bases eleitorais, imposto pela rotina em Brasília. Eles foram derrotados na disputa municipal de 2012 e querem concorrer novamente em 2016. Por isso, tentam ficar mais próximos dos eleitores.

"Quero ter essa experiência de ficar na cola do governador Geraldo Alckmin de segunda a sábado. Trocar a Câmara pela Assembleia não é um fardo é um presente", justifica Luiz Fernando.

A decisão deles, no entanto, complica o xadrez tucano em 2014. O PSDB não tem nomes com peso político para substituir Vaz de Lima em São José do Rio Preto nem Carlos Roberto em Guarulhos. A cúpula do partido no Estado lamenta a mudança, que considera "eleitoralmente muito ruim" mas diz que não há condição de demovê-los.

Em Jundiaí, Luiz Fernando deve ocupar o espaço eleitoral deixado por seu correligionário Ary Fossen, deputado estadual que morreu em 2012, durante o mandato. Para a Câmara, o partido pretende lançar o ex-prefeito Miguel Haddad, sem mandato desde janeiro deste ano.

O PSDB deve perder ainda os deputados federais Emanuel Fernandes e William Dib, que podem não concorrer a nenhum cargo em 2014.