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Política

Recado das urnas é que inexperiência é 'salto no escuro', diz Rodrigo Maia

G1

30 de Novembro de 2020 - 16:25

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, durante transmissão pela internet no último dia 27 — Foto: Gustavo Sales / Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira (30) que a votação expressiva de partidos tradicionais nas eleições municipais mostraram que, embora busquem renovação, os eleitores entenderam que a inexperiência é um “salto no escuro”.

Maia deu a declaração durante entrevista ao portal de notícias UOL. Para o presidente da Câmara, os eleitores mostraram a preferência por políticos que já demonstraram experiência em outros momentos.

“Acho que esse foi o recado que saiu das urnas. A sociedade quer um estado mais moderno, quer continuar até, inclusive, renovando a política. Mas ela viu que a falta de experiência é um salto no escuro e decidiu nesta eleição — acho que esse é o grande recado desta eleição — por aqueles que têm mais experiência e já demonstraram essa experiência em outros momentos da política brasileira”, disse Maia.

Para o presidente da Câmara, as eleições não provocaram enfraquecimento ou fortalecimento do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Maia ressaltou que Bolsonaro “nunca teve uma base municipalista” e que, por isso, não tinha algo construído que pudesse ser derrotado.

"Em algumas eleições, ele perdeu, mas não eram eleições construídas pela estrutura partidária dele, que não existe. Então, não acho, por exemplo, que a eleição municipal gere impacto de enfraquecimento ou de fortalecimento dele”, declarou.

Para o presidente da Câmara, as eleições mandam para o governo o recado de que o “centro virá forte em 2022”.

“Então, para o governo, o resultado da eleição mandou uma mensagem: que o centro virá forte em 2022. Cabe agora ao governo organizar: qual é o campo em que vai atuar? Vai continuar com o ministro do Meio Ambiente, com o ministro das Relações Exteriores, estragando a imagem do Brasil no exterior? Ou vai caminhar para o centro-direita para tentar tirar um pouco do nosso espaço?”, questionou.

Pautas prioritárias

O presidente da Câmara disse ainda que "sentiu falta" de uma posição mais clara do governo, já no dia seguinte ao segundo turno das eleições municipais, sobre as pautas que tratam do controle das despesas públicas.

"Acho que o governo deveria ter começado o dia hoje, cedo, com uma coletiva para falar qual é a pauta que o governo tem interesse para os próximos dois meses", disse Maia.

O parlamentar voltou a defender como prioridade a proposta de emenda à Constituição intitulada PEC Emergencial, que prevê mecanismos para conter o aumento de gastos públicos. A proposta tramita no Senado e, em seguida, deve passar pela Câmara.

"Eu não sei qual é o texto que o governo vai defender junto ao relator do Senado, Márcio Bittar (MDB-AC). E era importante que a gente pudesse começar a trabalhar em conjunto, como fizemos com a [reforma] previdenciária. A Câmara trabalhou primeiro, mas já tinha um grupo de senadores acompanhando a votação."

Ainda de acordo com o presidente da Câmara, os próximos meses vão definir o futuro do país e das eleições de 2022.

"Da forma como o governo se comportar, você vai ter condições de entender, a partir de março, qual será o caminho do governo e qual espaço político que ele vai querer ocupar", disse.

Reforma tributária

Sem citar nomes, Maia disse que a reforma tributária só não andou no Congresso por questão de “ego” e “vaidade”.

“Eu estou tentando ajudar desde o ano passado, tentando avançar com a tributária. Mas tivemos conflitos que não valem a pena serem relembrados, mas conflitos, vaidades, egos, e aí vai travando, coisa que é de ‘A’, de ‘B’. de ‘C’. A vaidade do ser humano é grande. Na política é maior”, afirmou Maia.

“O Brasil está ficando pra trás, porque a vaidade dos homens às vezes prevalece sobre a racionalidade e o bom senso”, acrescentou.

Segundo Maia, o líder da maioria na Câmara e relator da proposta, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), vai conversar com partidos e governo nesta semana para apresentar sua proposta.

“Se tiver consenso, nós vamos votar. Se não tiver consenso, o próximo presidente da Câmara pauta, porque ela está pronta para votar. Tem maioria tranquilo para aprovar, certeza”, disse.