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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quinta, 1 de Outubro de 2020

Política

Valeixo avisou superintendentes da PF sobre existência de “nova crise

Em reunião por videoconferência com todos os chefes do órgão nos estados, diretor-geral lembrou que colocou cargos de confiança à disposição em janeiro

VEJA

23 de Abril de 2020 - 16:49

O diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, avisou, em reunião por videoconferência com todos os superintendentes do órgão nos estados, que uma “nova crise” envolvendo a corporação poderia surgir. O encontro aconteceu na manhã desta quinta-feira (23) e faz parte do acompanhamento de medidas relacionadas à crise da Covid-19.

Aos colegas delegados responsáveis pelas ações da PF nos estados, Valeixo afirmou que colocou, em janeiro, todos os cargos de confiança do órgão à disposição do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Ou seja, fez apenas uma lembrança ao ministro de que ele poderia fazer trocas na estrutura administrativa do órgão, se achasse adequado.

A reunião entre diretor-geral e os superintendentes começou nesta quarta (22), mas por problemas técnicos no aplicativo de videoconferência acabou adiada, sendo retomada nesta quinta (23). O final dela durou das 10h30 às 12 horas no dia de hoje.

Como informado pela Veja, Moro foi surpreendido em reunião nesta quinta (23) com o presidente Jair Bolsonaro. No encontro, o presidente comunicou a intenção de mudar o diretor-geral da PF, a peça mais estratégica do Ministério da Justiça. Moro respondeu então que deixaria o governo se Valeixo for mesmo substituído.

Historicamente, o ministro da Justiça sempre teve liberdade para escolher o diretor-geral da PF e manter o policial de sua confiança no cargo. Contudo, mesmo com a tradição em Brasília, Bolsonaro foi avisado no ano passado que, na letra fria da lei,  o cargo de diretor é de indicação do presidente da República.

Em agosto de 2019, Bolsonaro gerou (e alimentou) outra crise na Polícia Federal ao intervir na superintendência da corporação no Rio de Janeiro, indicando um delegado que fosse de sua “confiança” em solo carioca. O diretor-geral também sempre teve liberdade para fazer essas nomeações.