Saúde
Mato Grosso do Sul confirma décima sétima morte por chikungunya e iguala total de 2025
Estado soma 11,5 mil casos prováveis em 2026 e lidera incidência da doença no país; Douradina concentra maior taxa de infecção.
Correio do Estado
16 de Maio de 2026 - 08:29

Mato Grosso do Sul confirmou a 17ª morte por chikungunya em 2026, igualando o total de óbitos registrados durante todo o ano passado. A nova vítima é um homem de 43 anos, morador de Douradina, município localizado a 195 quilômetros de Campo Grande, que morreu no dia 22 de abril.
A confirmação foi divulgada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) no boletim epidemiológico referente à 18ª semana epidemiológica.
Segundo o boletim, a vítima possuía tuberculose, fator que pode ter agravado o quadro clínico. Entre os 17 óbitos confirmados no Estado neste ano, nove pacientes apresentavam algum tipo de comorbidade.
As mortes foram registradas em Dourados (11), Bonito (2), Jardim (2), Fátima do Sul (1) e Douradina (1). Um outro óbito segue em investigação.
Os dados da SES apontam ainda que Mato Grosso do Sul já contabiliza 11.521 casos prováveis da doença em 2026, sendo 4.834 confirmações no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Em apenas uma semana, o Estado registrou aumento de 1.191 casos prováveis, salto de 11,5% em relação ao boletim anterior.
O número já representa 81,4% de todos os casos registrados ao longo de 2025, quando Mato Grosso do Sul encerrou o ano com 14,1 mil notificações de chikungunya. A incidência estadual chegou a 417,9 casos por 100 mil habitantes, índice considerado muito alto por especialistas e acima do patamar que pode configurar cenário epidêmico.
Mesmo diante do avanço da doença, a SES ainda não considera que Mato Grosso do Sul enfrenta uma epidemia de chikungunya.
Além disso, o Estado lidera o ranking nacional de incidência da doença. A taxa sul-mato-grossense é mais de 20 vezes superior à média brasileira, estimada em 20,1 casos por 100 mil habitantes. Atrás de Mato Grosso do Sul aparecem Goiás, Minas Gerais, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Rio Grande do Norte.
A SES também informou que 65 gestantes tiveram confirmação para chikungunya neste ano em Mato Grosso do Sul. A orientação da pasta é para que a população evite automedicação e procure atendimento médico ao apresentar sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações, manchas vermelhas pelo corpo e fadiga.
Boletim epidemiológico em MS
- 11.521 casos prováveis de chikungunya;
- 4.834 casos confirmados;
- 17 mortes confirmadas pela doença em 2026;
- 1 óbito segue em investigação;
- 65 casos confirmados em gestantes.
Douradina lidera incidência estadual
Dados do boletim epidemiológico mostram que Douradina lidera a incidência de casos prováveis de chikungunya em Mato Grosso do Sul, com taxa de 3.782,7 casos para cada 100 mil habitantes e 211 registros prováveis da doença.
Na sequência aparecem Sete Quedas, com incidência de 3.320,0 e 365 casos, além de Fátima do Sul, que soma 613 casos prováveis e taxa de 2.974,4. Dourados, município com maior número absoluto de registros entre as cidades listadas, contabiliza 4.801 casos prováveis e incidência de 1.972,7, reforçando o avanço da doença na região sul do Estado.
Campo Grande registra 25 casos prováveis. Apenas Alcinópolis, Aparecida do Taboado e Japorã não tiveram registros da doença em 2026.
Dourados
Na última segunda-feira (11), o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela Prefeitura de Dourados para coordenar o enfrentamento à epidemia de chikungunya na Reserva Indígena e na área urbana do município, confirmou a morte de uma vítima causada por complicações da doença.
A vítima foi uma mulher de 46 anos, que estava internada no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU/UFGD).
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a paciente deu entrada na unidade hospitalar no dia 26 de abril, após apresentar os primeiros sintomas da doença, mas não resistiu às complicações provocadas pela chikungunya.
Com o registro, Dourados chegou a 11 mortes confirmadas relacionadas à doença, sendo nove vítimas indígenas e duas não indígenas.




