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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quinta, 12 de Março de 2026

Saúde

Mato Grosso do Sul mantém vigilância sobre barbeiros

Vigilância da SES alerta para a presença de insetos transmissores, mas sem casos humanos.

Capital News

12 de Março de 2026 - 10:32

Mato Grosso do Sul mantém vigilância sobre barbeiros
Vigilância da SES alerta para a presença de insetos transmissores, mas sem casos humanos. Foto: SES

Em 2025, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Mato Grosso do Sul registrou a captura de 262 triatomíneos, popularmente conhecidos como barbeiros, distribuídos em 21 municípios, incluindo 49 exemplares em Campo Grande. Dois desses insetos, coletados em Anastácio, testaram positivo para o protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. Apesar disso, a SES reforça que não houve transmissão para humanos no estado. O monitoramento é feito regularmente pela Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores, que analisa a presença dos insetos e realiza exames laboratoriais.

O barbeiro é um inseto noturno que se alimenta de sangue e pode migrar de áreas rurais para residências, especialmente quando há desmatamento ou desequilíbrios ambientais. A doença de Chagas não é transmitida pela picada em si, mas pelas fezes ou urina do inseto, que podem infectar o ser humano caso entrem em contato com a pele ou mucosas. No Mato Grosso do Sul, a espécie mais comum é o Triatoma sordida, enquanto outras regiões do país apresentam com frequência o Triatoma infestans.

A doença pode afetar órgãos importantes como coração e sistema digestivo, podendo causar insuficiência cardíaca, dilatação do esôfago ou intestino e sintomas como palpitações, inchaço, falta de ar e desmaios. Segundo o infectologista Maurício Pompilho, embora exista tratamento, danos avançados têm pouca chance de reversão. A prevenção envolve cuidados em áreas rurais, observação do ambiente e, se possível, uso de repelente, principalmente durante trilhas, acampamentos ou atividades ao ar livre.

A SES mantém vigilância ativa em todos os 79 municípios, com laboratórios em Campo Grande, Dourados, Jardim e Três Lagoas que recebem insetos para identificação e testes parasitológicos. A secretaria reforça que a presença do inseto não indica necessariamente a ocorrência da doença, mas alerta para a importância do monitoramento contínuo, que inclui orientação técnica aos municípios e colaboração da população na notificação de exemplares encontrados.