Saúde
MS tem escalada de casos de Chikungunya anos após epidemia no Paraguai
Para se ter uma ideia de como a doença avançou ao longo dos anos, os boletins epidemiológicos do Estado mostram que em 2022 foram confirmados 237 casos.
Dourados News
19 de Março de 2026 - 16:00

A escalada de casos de Febre Chikungunya que já provocou quatro mortes na Reserva Indígena de Dourados, é resultado de um avanço da doença que vem sendo registrado em Mato Grosso do Sul desde 2023. Este foi o ano em que o Paraguai - país que faz fronteira com o Brasil através do Estado - vivenciou a pior epidemia da sua história com 138,7 mil pessoas infectadas, segundo dados da Opas (Organização Panamericana de Saúde).
“Como não havia circulado antes, consequentemente ninguém tinha imunidade. Então, a tendência do crescimento, é uma tendência natural quando não se tem o controle do vetor”, afirma a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Danielle Galindo Martins Tebet.
Ainda segundo ela, quando o vírus atravessou a fronteira, o Estado já tinha quantidade significativa de mosquitos Aedes aegypti devido ao histórico de circulação da dengue. “É o mesmo vetor, então consequentemente era de se esperar que nós tivéssemos incidência de Chikungunya”, afirma.
A coordenadora alega que a SES faz um acompanhamento de indicadores de arboviroses sistematicamente, com reuniões quinzenais e apoio direto aos municípios com maior incidência. Ela diz que quando necessário, o Estado envia uma equipe ao município para prestar atendimento, assistência, além de coordenar ações para que haja controle de casos.
ESCALADA
Para se ter uma ideia de como a doença avançou ao longo dos anos, os boletins epidemiológicos do Estado mostram que em 2022 foram confirmados 237 casos. Já em 2023, esse número subiu para 1,3 mil.
Em 2024, o quantitativo oficial chegou a cair com 919 sul-mato-grossenses com a doença, ainda que 11 municípios tivessem alta incidência que é de 300 casos para cada 100 mil habitantes; e 23 com índice médio, que é de 100 registros para cada 100 mil moradores.
O cenário foi o oposto do ano passado, quando houve uma disparada significativa com 7,6 mil pessoas infectadas e 17 mortes em MS. A quantidade de municípios em risco também aumentou, com 43 registrando alta incidência e 22 cidades o índice médio.
Em 2026 a situação é ainda mais preocupante. O boletim mais recente divulgado pela SES na semana passada, aponta para 1,1 mil casos confirmados até a 9ª semana epidemiológica, sendo que o pico costuma ser entre a 13ª e a 14ª. Até o momento quatro pessoas morreram, todas indígenas moradoras das aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados.
“Essa questão da Chikungunya não é uma questão especificamente da Grande Dourados, é uma doença que está se espalhando pelo Estado. Então, esse alerta não serve apenas para a região de Dourados, ele serve para todo o Estado. A Chikungunya veio para ficar, então a gente tem que fazer a nossa parte enquanto nós não temos ainda vacina para Chikungunya, como nós temos para a dengue”, pontuou.
Ainda conforme a coordenadora, há necessidade de conscientização sobre cuidados com quitais para eliminação de focos do mosquito transmissor. “Nós precisamos do apoio da população para que esse controle vetorial seja possível, porque muitos esperam que o agente de endemias chegue na sua casa, no seu quintal, e faça a limpeza, e esse não é o papel do agente de endemias, esse é o papel do dono da casa”, pontua.
Nas aldeias o principal desafio no combate à Chikungunya é o armazenamento de água pela comunidade em caixas d’água, usada para beber, fazer comida e higiene, por exemplo, devido a falta de uma rede de abastecimento na região.
DOENÇA AVANÇA NA ÁREA URBANA
Apesar de haver uma concentração grande de casos nas aldeias, a doença já avançou para outras regiões de Dourados. De acordo com a Sems (Secretaria Municipal de Saúde), dos cerca de 400 casos confirmados no município, pelo menos a metade dos pacientes mora na área urbana. A prefeitura estuda se vai decretar situação de emergência.
A medida é discutida com o Estado e o Governo Federal desde a chegada nesta quarta-feira, dia 18, da FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde), que deve prestar apoio nas ações de combate a proliferação do mosquito, busca ativa de casos suspeitos entre indígenas que moram em locais de difícil acesso, além de orientação sobre o fluxo de atendimento e capacitação de profissionais locais.
A equipe integra uma ação de cooperação tripartite que passou a fazer o atendimento dos indígenas em uma estrutura que funciona como um ambulatório itinerante, montado na quadra da Escola Municipal Indígena Tengatuí Marangatu, onde profissionais fazem consultas, exames e medicação, além do encaminhamento de casos graves para a rede hospitalar.
“O clássico da doença é dor articular, dor muscular persistente, 20% a 30% das pessoas vão ficar com essas dores por meses talvez. Mas, os casos graves, eles evoluem principalmente com o acometimento cerebral, cardíaco, lesões de pele importantes. Então, é uma doença que em algumas pessoas pode progredir para formas mais graves. A gente acredita que o manejo inicial adequado, as medidas iniciais de tratamento, podem reduzir a evolução do quadro para grave”, explica o Superintendente do HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), Hermeto Paschoalick.




