SIDROLÂNDIA- MS
Prefeito alega falta de recursos para reajuste, em fevereiro comemorou superávit de R$ 21,04 milhões
Outro ponto que chama atenção é o crescimento expressivo dos gastos com servidores comissionados.
Redação/Região News
15 de Abril de 2026 - 13:15

A alegação de falta de recursos apresentada pelo prefeito Rodrigo Basso para negar a concessão de reajuste na data-base dos servidores em maio contrasta com dados financeiros recentes divulgados pela própria administração.
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Os números que embasaram o superávit apresentado pelo Executivo foram divulgados em fevereiro, durante audiência pública na Câmara Municipal, com base no fechamento de 2025. Segundo a Prefeitura, a arrecadação no período chegou a R$ 413,98 milhões. Parte desse montante inclui cerca de R$ 14,4 milhões em emendas parlamentares, recursos com destinação específica para áreas como saúde, obras e aquisição de equipamentos, o que limita sua utilização para despesas como a folha de pagamento.
Outro ponto que chama atenção é o crescimento expressivo dos gastos com servidores comissionados. Em março de 2024, a despesa era de R$ 1.311.600,00. Em 2025, subiu para R$ 1.444.900,00, um aumento de 10,77%. Já em 2026, o valor saltou para R$ 2.524.310,00 alta de 93,83% em relação a 2024, pressionando ainda mais as contas públicas.
O resultado financeiro positivo de 2025, apresentado como evidência de uma virada nas contas públicas em relação à gestão anterior, foi fortemente influenciado por uma medida adotada no fim do exercício: o cancelamento de aproximadamente R$ 17 milhões em restos a pagar. Esses valores foram remanejados para o orçamento de 2026, contribuindo para melhorar artificialmente o resultado do ano anterior.
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Apesar do superávit anunciado à época, os dados mais recentes apontam uma rápida deterioração das contas públicas em 2026. De janeiro a abril, a receita acumulada soma R$ 76.125.855,05, enquanto as despesas já atingem R$ 81.776.992,49, gerando um déficit de R$ 5,65 milhões no período.
No mesmo intervalo de 2025, o cenário era significativamente mais favorável: a arrecadação alcançava R$ 94.088.243,64, com despesas de R$ 53.644.905,87, um resultado amplamente positivo. A comparação revela uma piora superior a R$ 46 milhões no desempenho financeiro entre os dois anos.
Os dados indicam queda de 19% na receita, ao mesmo tempo em que as despesas cresceram 52%. Esse descompasso pressiona as finanças municipais e compromete a capacidade de investimento e de concessão de reajustes salariais.
Diante da negativa, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (SIPREMS) reagiu com críticas à condução das negociações. Segundo a presidente da entidade, Maristela Stefanello, a reunião realizada na terça-feira foi considerada frustrante.
A reunião foi uma coisa inexplicável. O prefeito e o secretário de Educação receberam o ofício do sindicato em 3 de março e só agora aconteceu esse fiasco”, afirmou.
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Ela também destacou que a categoria não aceita a justificativa de falta de recursos. “Não vamos aceitar essa história de que não há dinheiro para o reajuste”, declarou. Segundo a dirigente, o sindicato já se organiza para convocar assembleia e definir os próximos passos da mobilização.
Em fevereiro, o secretário de Educação, Villi Tognon, encaminhou ofício ao Sindicato com a proposta de reajuste de 5,4% em março, no mínimo, mais 3% em maio, quando foi prometido 9% de reajuste para os professores temporários.




