SIDROLÂNDIA- MS
Projeto da BR-060 fica pronto em 2027, mas obras dependerão de emendas federais
A elaboração dos estudos e projetos foi contratada junto à empresa Beck de Souza Engenharia Ltda, com vigência entre dezembro de 2025 e julho de 2027.
Redação/Região News
28 de Maio de 2026 - 13:35

O projeto executivo da duplicação da BR-060, no trecho entre Campo Grande e Sidrolândia, contratado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) por R$ 4.965.813,48, tem prazo de conclusão previsto para maio de 2027. A elaboração dos estudos e projetos foi contratada junto à empresa Beck de Souza Engenharia Ltda, com vigência entre dezembro de 2025 e julho de 2027.
Embora exista forte pressão política e regional pela duplicação integral da rodovia — reivindicação defendida pelo governador Eduardo Riedel e pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro — o projeto não significa automaticamente a implantação de pista dupla em todo o trajeto de 56,5 quilômetros entre Campo Grande e Sidrolândia.
O estudo contratado pelo DNIT deverá apontar quais são as soluções de engenharia mais viáveis para melhorar a fluidez e a segurança no tráfego da BR-060. Entre as alternativas em análise estão a duplicação de trechos específicos, implantação de terceiras pistas, acostamentos, rotatórias, canteiros centrais e adequações urbanas.
A definição das intervenções dependerá diretamente do diagnóstico técnico elaborado a partir da contagem de veículos e da identificação dos principais gargalos da rodovia. O trecho ganhou relevância nos últimos anos devido ao aumento do fluxo de caminhões e carretas, impulsionado pela instalação de grandes empreendimentos industriais em Sidrolândia, como o complexo da Inpasa, inaugurado em 2024 com investimento de R$ 2,3 bilhões. A indústria passou a gerar circulação diária estimada em cerca de 500 carretas.

Apesar do crescimento do movimento, os números do Plano Nacional de Contagem de Tráfego (PNCT) mostram que a BR-060 entre Campo Grande e Sidrolândia ainda está abaixo dos trechos mais movimentados da malha federal sul-mato-grossense. Em 2025, o segmento registrou média diária de 6.719 veículos. Na BR-163, entre Rio Brilhante e Dourados — o trecho federal mais movimentado de Mato Grosso do Sul — o fluxo chegou a 10.056 veículos por dia. Mesmo assim, a duplicação integral da rodovia ainda não foi concluída e avança de forma gradual dentro do novo contrato de concessão, que prevê 203 quilômetros de pistas duplicadas.
Já a BR-262, entre Água Clara e Três Lagoas, registrou média diária de 5.269 veículos. Mesmo com a concessão da chamada Rota da Celulose, o trecho não terá duplicação integral. O contrato prevê intervenções pontuais, como terceiras pistas, acostamentos e melhorias de segurança, reforçando a tendência de adoção de soluções graduais em rodovias com fluxo intermediário de veículos. Outro trecho da própria BR-060, próximo a São Gabriel do Oeste, registrou 7.676 veículos diários.
Os dados ajudam a explicar porque o projeto pode priorizar soluções intermediárias em vez da duplicação total imediata. A tendência é que o estudo indique intervenções graduais, consideradas mais compatíveis com o volume de tráfego e com a disponibilidade orçamentária da União.
A execução das obras dependerá de recursos federais a partir de articulação e de emendas da bancada de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional. Técnicos estimam que uma duplicação integral dos 56 quilômetros possa custar em torno de R$ 400 milhões, valor que exigiria investimentos plurianuais. Como o orçamento do DNIT hoje é fortemente comprometido com custeio, grande parte das obras federais depende da destinação de emendas parlamentares impositivas.
A bancada federal poderá direcionar cerca de R$ 60 milhões anuais em emendas para a obra. Sem essa articulação política, porém, a tendência é que o projeto permaneça apenas no papel, já que os investimentos federais em infraestrutura rodoviária seguem limitados.
O projeto prevê ainda estruturas complementares, como viaduto sobre o contorno ferroviário de Campo Grande, acesso ao frigorífico da JBS em Sidrolândia, implantação de canteiro central em áreas urbanas e melhorias nos acessos às rodovias estaduais da região. É certo, por exemplo, a duplicação em Sidrolândia, a partir do trevo com o entroncamento com a MS-258 (acesso ao Capão Seco) até a Avenida Dorvalino dos Santos, trecho urbano da rodovia, além do trecho até a saída para Maracaju e Nioaque. Também é prioritária a construção de uma rotaria em frente do Frigorífico da JBS.
Pouca duplicação
Atualmente, Mato Grosso do Sul possui apenas 137 quilômetros de rodovias duplicadas, o equivalente a 0,74% da malha viária estadual. A maior parte dos trechos de pista dupla está concentrada em rodovias concedidas à iniciativa privada, como a BR-163 e a chamada Rota da Celulose, que engloba trechos das BRs-262 e 267. O cenário reforça que a ampliação da capacidade da BR-060 deverá ocorrer de forma gradual, condicionada à capacidade de articulação política e à liberação de recursos federais




