SIDROLÂNDIA- MS
Vereador vistoria travessões no Capão Bonito e produtores denunciam isolamento e prejuízos
A visita foi motivada pelas reclamações de moradores que convivem com dificuldades para sair de casa, transportar estudantes.
Redação/Região News
02 de Julho de 2026 - 13:48

Depois de reiterados pedidos de providências à Secretaria Municipal de Infraestrutura sem que houvesse solução, o vereador Márcio K-Beça esteve no Assentamento Capão Bonito, na região que margeia a Estrada Municipal Adão Claro, para vistoriar dois travessões que se tornam praticamente intransitáveis durante o período de chuvas. A visita foi motivada pelas reclamações de moradores que convivem com dificuldades para sair de casa, transportar estudantes e escoar a produção agropecuária.
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Um dos pontos visitados foi o travessão que dá acesso à propriedade do produtor José Cícero. Segundo ele, a situação piorou após o último período de chuva. O acesso ficou abaixo do nível da pista asfaltada e passou a receber toda a enxurrada que acompanha o traçado da estrada pavimentada.
Conforme relata o produtor, a empresa responsável pela obra concluída no ano passado deixou no local as manilhas que seriam utilizadas na construção da travessia para drenagem da enxurrada, mas o serviço nunca foi concluído. Desde então, quando chove, a água fica represada por dias no acesso próximo ao lote de Cícero, leva parte do aterro e transforma a rampa de acesso à estrada em um obstáculo para quem precisa entrar ou sair da propriedade e dos lotes vizinhos.
Na última chuva, um trecho do travessão permaneceu alagado por vários dias. A água empoçada impediu completamente o trânsito de veículos, evidenciando a falta de um sistema de drenagem adequado.
Os prejuízos já atingem diretamente a renda da família. José Cícero conta que deixou de entregar cerca de 500 litros de leite por dia aos laticínios porque o caminhão não consegue mais chegar até a propriedade.

"Hoje estou transformando o leite em queijo e requeijão para evitar perdas, mas essa não é a solução. Daqui a pouco começa a colheita do milho e não sei como vou conseguir retirar a produção."
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O produtor também questiona a falta de retorno dos impostos pagos pelos agricultores.
"Todos nós produzimos com nota fiscal, pagamos impostos sobre o leite, sobre os bezerros e sobre tudo o que comercializamos. O que queremos saber é onde está o retorno desses recursos, porque quando precisamos de uma estrada em condições para trabalhar, simplesmente não temos."
Outro local vistoriado foi o travessão onde mora o produtor Mauri Favaro. A estrada possui mais de três quilômetros de extensão e atende não apenas famílias do assentamento, mas também propriedades rurais vizinhas, além de ser utilizada diariamente por duas linhas do transporte escolar.
Segundo Mauri, o trecho mais crítico tem cerca de dois quilômetros e sofre com o abandono há aproximadamente 16 anos.
Em todo esse tempo a patrola passou aqui apenas duas vezes. Durante muitos anos eu mesmo fazia a manutenção da estrada com meu trator, do trecho do Artur até aqui embaixo. Mas há três anos enfrento sérios problemas de saúde e não tenho mais condições físicas nem financeiras de fazer um serviço que é obrigação da prefeitura."
Ele afirma que a falta de manutenção afeta diretamente o transporte escolar. Sempre que chove, o barro toma conta da estrada e os motoristas evitam entrar no travessão por receio de atolar.
"Toda vez que chove as crianças ficam sem aula porque o ônibus não entra. Quando tenta descer, atola e a gente precisa puxar com trator. Como agora estou indo muito ao médico, nem sempre estou aqui, então o motorista também fica com receio de entrar."
Somente no trecho onde reside vivem três estudantes que dependem diariamente do transporte escolar, além de outras famílias atendidas pela mesma estrada. O travessão também é utilizado por outra linha escolar e por caminhões responsáveis pelo transporte da produção agrícola da região.
Mauri lembra que, no mês passado, equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura iniciaram a recuperação da estrada utilizando cascalho retirado de sua propriedade. No entanto, segundo ele, o serviço foi interrompido antes de alcançar os pontos mais críticos.
"Eles pegaram cascalho do meu pomar, colocaram um pouco numa curva, outro pouco mais à frente e depois foram embora porque as máquinas foram levadas para atender o Assentamento Barra Nova. Disseram que voltariam, mas nunca voltaram."
O produtor afirma que apoiou a eleição do atual prefeito e diz não compreender por que a região onde mora continua sem receber a manutenção necessária.
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"Eu votei no prefeito porque acreditava que a situação ia melhorar. Hoje não entendo por que nossa região está abandonada. Não estamos pedindo favor. Queremos apenas uma estrada em condições para trabalhar, para as crianças irem à escola e para conseguirmos escoar nossa produção."
Além da falta de manutenção, Mauri aponta outro problema que dificulta a conservação da estrada: a ocupação irregular da faixa de domínio.
"Hoje só ficou o trilheiro. Tem gente plantando em cima da estrada. Assim a prefeitura não consegue abrir as caixas de contenção para desviar a água. A enxurrada desce com força, leva embora o cascalho e destrói a estrada a cada chuva."
Segundo Mauri, diversos pedidos de providências foram encaminhados à prefeitura, inclusive por meio do vereador Márcio K Cabeça, mas nenhuma solução definitiva foi apresentada.
Apesar das críticas, ele afirma que seu objetivo não é responsabilizar individualmente os servidores da prefeitura, mas chamar a atenção para um problema que afeta diretamente moradores, estudantes e produtores rurais.
"Não estou falando mal de ninguém. Só estou mostrando a realidade. A situação é essa. Como resolver, eu não sei, mas do jeito que está não pode continuar."
Durante a vistoria, o vereador Márcio K-Beça afirmou que continuará cobrando providências da administração municipal para a recuperação dos travessões, a conclusão das obras de drenagem e a desobstrução da faixa de domínio das estradas rurais. Segundo o parlamentar, garantir condições adequadas de trafegabilidade é fundamental para assegurar o transporte escolar, o direito de ir e vir das famílias e o escoamento da produção agropecuária do Assentamento Capão Bonito.




