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Sidrolandia

Aplicativo vira "febre", mas é perigoso para quem deseja emagrecer

A prática de um exercício sem acompanhamento de um profissional oferece graves riscos à saúde, por isso o aplicativo pode causar riscos a iniciantes.

Campo Grande News

02 de Setembro de 2015 - 08:00

Dados da pesquisa Vigitel 2014 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgada pelo Ministério da Saúde no primeiro semestre aponta que apenas 38% das pessoas praticam o tempo recomendado de atividade física pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que é de 150 minutos semanais, o que significa pelo menos meia hora de atividade física em cinco dias da semana.

O desinteresse pela prática esportiva reflete em outro dado que também vem preocupando médicos e profissionais da área de Educação Física e revela que 22% da população é obesa, colocando Campo Grande no topo das capitais que apresentam o maior índice de adultos com obesidade do país. Na sequência aparecem Cuiabá e Belém, com 21%.

Frente a esse cenário, muitas pessoas têm corrido atrás do prejuízo, porém sem orientação de um profissional de Educação Física. Um desses atalhos que vem ganhando força entre os adeptos da malhação e principalmente entre o público que busca um corpo sarado sem precisar por a mão no bolso, são os aplicativos para celulares desenvolvidos para auxiliar na prática das atividades.

O problema, segundo o presidente do Conselho Regional de Educação Física de Mato Groso do Sul, Ubiratan Brito de Mello, é o uso indiscriminado desses aplicativos. "É como ir ao médico, fazer uma série de exames e depois tentar interpretar os resultados sem a presença do profissional", alerta.

Em uma busca rápida na Internet é possível encontrar centenas de dicas de sites e blogs, indicando uma infinidade de aplicativos, desenvolvidos para os mais diversos objetivos.

Já o Workout Trainer tem o propósito de ajudar seu usuário a tonificar músculos, emagrecer e acabar com a flacidez. Tudo sem a necessidade de aparelhos profissionais.

O personal trainer Bruno Elias, também integrante do Conselho Regional de Educação Física, ressalta que os aplicativos devem ser utilizados como apoio às atividades e nunca como um prescritor de exercícios. Ele revela que empresas ligadas ao esporte criam seus próprios aplicativos com o objetivo de tirar a pessoa da ociosidade, mas nunca incentivam o uso indiscriminado da ferramenta.

Segundo ele, a prática de um exercício sem acompanhamento de um profissional oferece graves riscos à saúde. Ele cita, como exemplo, o usuário que desconhece ter um problema de coluna, mas decide seguir, por conta própria, os treinos contidos em um aplicativo. "Essa pessoa pode sofrer uma lesão grave e depois fica complicado de resolver", alerta.

"O aplicativo é útil para ajudar no monitoramento da atividade. Por isso é preciso usá-lo sob a orientação de um professor ou personal que já conheça o organismo da pessoa e saiba identificar qual o volume e os tipos de exercícios adequados a ela", destaca o personal.