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Sidrolandia

Após denúncia, MPF pede apuração de caso de violência contra índios

Os guarany-kaiwá da região vivem em situação de conflito. No dia 29 de setembro de 2012, a Justiça obrigou a retirada do grupo

G1 MS

13 de Novembro de 2014 - 07:16

O Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso do Sul pediu à Polícia Federal que investigue uma denúncia de violência contra indígenas em uma fazenda em Iguatemi, a  451 km de Campo Grande. Segundo o órgão, um membro da comunidade Pyelito Kue teria sido baleado e crianças que o acompanhavam foram agredidas com spray de pimenta enquanto colhiam frutas.

As vítimas seriam da etnia guarany-kaiwá e, segundo a assessoria do MPF, vivem em uma área em processo de demarcação com uma população de 230 integrantes. Agentes da PF foram até o local para averiguar a situação e checar se a denúncia procede.

Disputa
Os guarany-kaiwá da região vivem em situação de conflito. No dia 29 de setembro de 2012, a Justiça obrigou a retirada do grupo. Os índios ocupam área de cinco mil m² da fazenda. As lideranças aty guasu, que atuam como um conselho dos direitos da etnia em questão, mandaram uma carta ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) dizendo que haverá “morte coletiva” caso a saída das terras seja realmente efetivada.

Conforme o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a situação dos índios é antiga. “Na década de 20, o estado brasileiro criou oito reservas indígenas em Mato Grosso do Sul. E aí saíram pegando os índios que estavam espalhados em várias partes do estado e colocando nesses locais. Ao mesmo tempo, houve uma política de colonização, concedendo as terras indígenas a particulares”, afirma.

Segundo ele, o impasse ocorre porque os indígenas querem de volta os locais originais onde moravam, que para eles tem conotação não apenas de moradia, mas também relação com as crenças religiosas deles.