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Sidrolandia

Assentados gastam R$ 2.500,00 para garantir licença do Imasul e apostam em piscicultura

Muita gente já desenvolve a piscicultura de forma informal, como não tem licenciamento ambiental, estes assentados enfrentam dificuldades de comercialização.

Flávio Paes/Região News

12 de Agosto de 2014 - 10:35

Na esperança de ter na piscicultura uma alternativa de diversificação produtiva dos seus lotes, 12 assentados investiram cada um R$ 2.500,00 para obter a licença ambiental do Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL). Na semana passada parte deste grupo participou  de um curso ministrado por instrutores do SENAR no Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Os agricultores familiares aprenderam técnicas de limpeza do pescado e receitas a base de peixe.

Os assentados estão na expectativa de que a Superintendência Regional da Pesca cumpra a promessa de enviar para Sidrolândia uma retroescavadeira hidráulica que será usada na abertura dos tanques. A Prefeitura vai ceder à máquina e o operador, enquanto os agricultores vão custear o óleo diesel. Este serviço custa em torno de R$ 3.300,00, considerando 30 horas de máquina, ao preço de R$ 110,00 a hora.

Muita gente já desenvolve a piscicultura de forma informal, como não tem licenciamento ambiental, estes assentados enfrentam dificuldades de comercialização com supermercados e peixarias, porque não podem emitir nota para legalizar o trânsito até os locais de venda. É o caso de dona Francisca Lacerda Villar, do Assentamento São Pedro.

Ela já tem dois tanques (de 20x 50) e pretende de imediato abrir outros dois. Há dois anos interrompeu a produção já encontrou dificuldades para vender a produção  porque não pode emitir  nota. Mesmo sem orientação técnica e contando apenas com sua própria experiência na atividade, durante três anos, conseguiu retirar 1.200 quilos de pescado por tanque a cada safra, com faturamento bruto de R$ 7 mil. O ciclo de produção demora em média 10 meses, podendo ser um pouco menor.

Com a piscicultura dona Francisca quer criar uma alternativa de renda ao leite, com variações de preços muito bruscas. Neste momento o produto assegura lucratividade sendo vendido aos laticínios a R$ 1,08, mas há momentos de crescimento da produção, que preço cai para R$ 0,80, um pouco mais ou menos. A produção diária de 250 litros com a entressafra, ficou reduzida a 130 litros.

Quem também aposta na piscicultura é Marly Maria Lima, do Assentamento São Pedro. Será uma atividade complementar a soja e ao milho, que hoje é a principal atividade produtiva do seu lote de 21 hectares. Em sistema de parceria (o arrendatário entra com  a semente e os adubos e a assentada paga o óleo diesel das máquinas e a mão de obra, além da terra naturalmente) cultiva 15 hectares de soja, na safra de verão e a mesma área do milho safrinha.

“Acredito que o investimento é pequeno, diante da possibilidade de uma boa renda, com baixo risco”, avalia, confiante de que  junto com a abertura de novos tanques, haja produção suficiente para justificar a implantação de um frigorífico de peixe na cidade.