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Sidrolandia

Cruz Vermelha nacional acusada de desvio milionário; filial do MS sequer tem sede

Midia Max

20 de Agosto de 2012 - 16:52

A atuação da Cruz Vermelha Brasileira (CVB) é alvo de um escândalo milionário que coloca em xeque a atuação das diretorias desta entidade em quatro estados brasileiros. A suspeita é que o dinheiro de campanhas humanitárias nunca chegou às vítimas. Já no Mato Grosso do Sul a história corre no caminho contrário: mesmo sem prédio próprio e falta de condições para alugar um, diretora põe entidade à disposição da população em sua própria casa.

O escândalo que joga no lamaçal o nome da Cruz Vermelha veio à tona por meio de uma reportagem da revista Veja, no início deste mês. A matéria revela que o dinheiro de três campanhas humanitárias não foi repassado. Ao invés disto, foi depositado o montante alvo da investigação na conta da filial do estado do Maranhão que tem como presidente Carmem Serra, irmã do presidente da CVB nacional, Walmir Serra Júnior.

Denúncia

Um dos trechos da reportagem da revista Veja traz que “no ano passado, a Cruz Vermelha Brasileira organizou três grandes campanhas nacionais de arrecadação — uma para as vítimas dos deslizamentos na região serrana fluminense, que deixaram 35 000 desabrigados; outra para a Somália, país africano faminto e devastado por guerras civis; e mais uma para a tragédia do terremoto seguido de tsunami no norte do Japão. Os recursos arrecadados nessas campanhas, com toda a certeza, não foram aplicados em nenhum daqueles locais. Nem um único centavo chegou a quem precisava. Nos três casos, as doações foram encaminhadas para contas bancárias da entidade no Banco do Brasil em São Luís, no Maranhão. Por que no Maranhão? Não se sabe, mas se suspeita: 1) porque o presidente nacional da Cruz Vermelha, Walmir Moreira Serra Júnior, mora lá; e 2) porque justamente sua irmã, Carmen Serra, é quem comanda a filial da Cruz Vermelha maranhense. Sob os argumentos mais diversos, os irmãos Serra passaram a manter as contas sob sigilo, e nem o alto escalão da entidade tem informações sobre o montante depositado ou sobre as movimentações.”

Enquanto milhões arrecadados em nome de vítimas de flagelos “sumiram” em quatro estados e depois de 15 dias da conta maranhense, a filial Mato Grosso do Sul sequer tem uma sede própria ou condições para funcionar num prédio alugado. A presidente da filial que fica em Campo Grande, produz espécie de flanelinhas para automóveis com doações de retalhos e linha. Com o dinheiro arrecadado algumas pessoas são beneficiadas. “Não atendemos como antigamente com cursos de formação na área de saúde, remédios, cadeiras de rodas, mutirões de ajuda humanitária porque não temos como depois que perdemos nossa sede em um leilão por conta de ação trabalhista”, diz Irene.

A pequena “fábrica” de paninhos foi improvisada na varanda da casa de Irene, onde ela mora com o marido e um filho especial de 10 anos. Dezenas de recortes de pano estão amontoados aguardando costura. Depois começa outra luta: tentar vender nos postos de combustíveis com preço de pouco mais de R$ 3 o quilo.

Na sala de Irene Correa ainda restam alguns móveis trazidos da sede própria que foi leiloada. No mesmo local estão bonecas de pano feitas pela presidente para também se transformarem em dinheiro para a entidade. “É muito triste saber que estamos nesta luta desde o final da década de oitenta e na nacional correndo este escândalo denunciando desviou milionário de dinheiro”, queixa-se.

Irene conta que depois do escândalo de possível desvio de doações humanitárias, as doações caíram drasticamente no Mato Grosso do Sul. Segundo ela, uma empresa de embalagens plásticas rescindiu recentemente um contrato que destinava percentual das vendas para a filial MS. Isto porque como as vendas em nome da Cruz Vermelha diminuíram muito, não estava mais compensando para a empresa parceira que investia telemarketing e serviço de entrega. “Por enquanto não temos parcerias, portanto ninguém está autorizado a fazer campanhas em nosso nome”, alerta ressaltando que a questão já foi denunciada ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro.

A presidente da filial MS, que também é conselheira nacional da CVB, tenta encontrar alguém interessado em voltar com o macro trabalho da Cruz Vermelha no Estado, por meio da doação de uma sala para funcionar como escritório. Mobília, voluntários e parceiros também são esperados. “A gente vê aquele prédio da antiga rodoviária com inúmeras salas fechadas. Ninguém decide o que fazer e a gente aqui com serviços limitados”, apela.

Leilão

A dívida trabalhista da filial Cruz Vermelha no MS era de R$ 15 mil, conforme Irene Correa, de processo no valor de R$ 3,8 mil (onde foram acrescidos juros e correção monetária). Para saldar o débito da ação, o prédio que na época foi avaliado pela Câmara de Valores Imobiliários em aproximadamente R$ 1,3 milhão foi a leilão. Três dias antes do remate, Irene afirma que chegou com o valor da ação, mas o juiz não aceitou e mandou prosseguir com o leilão e a sede foi vendida por R$ 580 mil Depois, foi descoberto que o advogado contratato pela instituição não quitou os honorários e este seria o motivo do processo do pregão ter continuado.

Há sete anos Irene mantém, de forma limitada, serviços da CVB em sua casa. Segundo ela, recentemente uma pessoa ligou em sua casa se passando por representante da Cruz Vermelha. Ela pedia doações. A presidente então pediu o endereço para fazer uma visita, mas depois descobriu que o endereço dado era inexistente. Quem tiver dúvidas sobre campanhas e pedidos em nome da entidade pode ligar no telefone: 3388-0056.