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Sidrolandia

Educação fecha salas com poucos alunos e adota classes multisseriadas em escolas rurais

A necessidade de enxugar a folha de pagamento da Educação, que hoje exige um desembolso mensal de R$ 500, motivou esta decisão da Prefeitura de iniciar a fusão de classes.

Flávio Paes/Região News

23 de Novembro de 2017 - 14:39

A Secretaria Municipal de Educação começou pela zona rural o fechamento de salas com número reduzido de alunos, o que resultou na criação de classes multisseriadas (em que alunos de séries diferentes estudam na mesma sala) e permitiu a dispensa do professor contratado da sala fechada.

Na escola do Assentamento São Pedro, por exemplo, foram aglutinadas duas salas, a do 8º ano que tinha dois alunos e a do 9º ano, com 6, formando uma classe multisseriada com 8 alunos. O quinto ano (com cinco estudantes) e o terceiro ano (com sete), constituíram uma classe de 13 estudantes.

A Escola do São Pedro que chegou a ter 300 alunos, hoje só tem 63 nos dois turnos, acomodados em três das suas seis aulas. Para atender este contingente reduzido, a Prefeitura mantém 11 funcionários (entre administrativos e professores).

A escola chegou a ter 300 alunos, mas ao longo do tempo, vem passando por esvaziamento, porque muitos pais preferem que os filhos estudem na escola do Capão Bonito ( assentamento próximo) e também os filhos dos assentados que já constituíram família resolveram trocar o campo pela cidade. O espaço não fica totalmente ocioso porque num dos turnos três salas são cedidas para uma extensão da escola estadual.

No Assentamento Barra Nova, um dos mais distantes do perímetro urbano, duas salas também foram fechadas, o que resultou em turmas multisseriadas (uma do 2º e 3º ano e outra do 5º e do 6º ano). A medida resultou na demissão de um professor contratado. Do enxugamento também não escapou a escola do Capão Bonito, onde o 6º e o 7º ano matutino, passaram a ocupar a mesma sala.

Em postagem no faceboo a mãe de um aluno da Escola Domingos Alves Nantes, do distrito de Quebra Coco, protestou contra a junção do 4º e 5º ano. O estudante, que é especial, não quer ir mais para escola.  "Ora se o aluno tem dificuldade com a sala comum, imagina na sala em que o professor precisa trabalhar em quadro dividido : 1ª parte para o 4º ano, 2ª parte para o 5ª", protesta dona Denise Cintra. 

Excesso de professores

A necessidade de enxugar a folha de pagamento da Educação, que hoje exige um desembolso mensal de R$ 500 mil além dos recursos do Fundeb, motivou esta decisão da Prefeitura de iniciar a fusão de classes. Em média há um professor para cada grupo de 9,97 alunos, bem abaixo do recomendado pelo MEC para manter as contas do Fundeb equilibradas: um professor para cada grupo de alunos.

Atualmente são 777 professores (373 concursados e 404 contratados), quando precisaria ter no máximo 351. A intenção da Prefeitura é manter a partir de 2018, 30 alunos por turma.

Segundo a presidente do Sindicato dos Professores, Maristela Stefanello, este quadro terá de ser corrigido, porque é insustentável manter uma estrutura na qual há salas de aula com três alunos, caso do terceiro ano da Escola São Pedro. Ou seja, considerando apenas o salário do professor em início de carreira (R$ 1.575,37), há um custo per capta de R$ 525,12, o equivalente ao preço de uma mensalidade numa escola particular. Este excesso de professores acaba achatando o salário da categoria, porque eleva os custos com o Fundeb.