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Sidrolandia

Em Três Lagoas, pecuaristas reclamam de estradas intransitáveis

Midiamax

24 de Maio de 2011 - 13:00

Extensos areais, crateras profundas, pedras pontiagudas. Percorrer a MS-320, uma das principais vias para escoamento da produção de grãos e gado do nordeste de Mato Grosso do Sul, é aventurar-se no perigo.

Em meio a carros e caminhões quebrados, pecuaristas e agricultores questionam o destino dos recursos arrecadados com o Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de MS (Fundersul) – calculado sobre o transporte de animais, da produção agrícola e de combustíveis e derivados de petróleo.

Para Cláudio Totó Garcia de Souza, pecuarista na região do Alto Sucuriú, morador de Três Lagoas, ira até a fazenda virou viagem longa, cansativa e com custo alto. “A estrada nunca esteve tão ruim.

Perdi a conta de quantos carros quebrei tentando chegar à propriedade. Antes, eu percorria os 140 quilômetros até a sede. Agora uma das opções com, no mínimo, 100 quilômetros a mais, para não ficar na estrada, é ir de Três Lagoas até Água Clara e voltar pela MS-377, até a entrada do Alto Sucuriú, que vai até o município de Paraíso”, desabafa o produtor rural.

Para Cláudio Totó, os impostos que paga pelo Fundersul não estão sendo aplicados para melhorar as rodovias que ele utiliza. “Nós que pertencemos a esta região e lutamos para aprimorar a produção, nos sentimos esquecidos pelo Governo do Estado, tal como a principal rota para escoamento de nossa produção. E mesmo assim continuamos pagando todos os impostos que nos cobram”, questiona.

Necessidade

O presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Domingos Martins de Souza, alega que, por diversas vezes, entrou em contato com a Agência Estadual de Gestão de Empreendimento (Agesul) e expôs a situação da MS-320. Porém não obteve resposta.

“Todos os dias têm pecuarista ou agricultor que nos procura para reclamar da situação da estrada. Não estamos nem pedindo asfalto ao Governo, mas sim que pelo menos a torne transitável, pelo que pagam pelo Fundersul”, exclama o presidente do sindicato.

Segundo Domingos, a ligação de Três Lagoas com o município de Paraíso, um dos maiores produtores de grãos do Estado, é de extrema necessidade. “Temos aqui a Cargil, grande processadora de grãos. A industrialização da safra não teria que percorrer longas distâncias, o que geraria economia em todas as fases da produção. Além de que, Três Lagoas é porta de saída para os portos de Paranaguá e Santos”, explica.

Atrasos e perdas

Buscar gado para levar ao frigorífico, em caminhão boiadeiro, na Fazenda Santo Antonio do Pontal, pertencente a Luis Antonio Guerra, a 100 quilômetros de Três Lagoas, demora, em média, quatro a cinco horas.

Para esse pecuarista, a comercialização do gado se torna cada vez mais onerosa e com pouca lucratividade diante da ineficiência do Poder Público Estadual.

“Temos que vacinar, zelar e alimentar o gado. Quando é o momento de vendermos para que tenhamos, pelo menos, um lucro compatível com o trabalho que isso dá, nos deparamos com a estrada intransitável para que o animal chegue inteiro até o frigorífico”, confere.

De acordo com Luís, a perda começa com o sacolejar das reses no caminhão.

“Agora é momento em que os pecuaristas vendem o gado para evitarem animais em demasia no pasto na época da seca, que começa em junho. Entretanto, como a estrada está nestas péssimas condições, as reses se machucam pelo caminho, em meio aos buracos e areais que o caminhão tem que atravessar. Todos os ferimentos na carne são descartados pelo frigorífico. Não tenho como mensurar o valor dos prejuízos”, aponta o pecuarista.

Última manutenção: agosto/2010

O pecuarista conta que no ano passado, em meio à seca, fizeram uma pequena manutenção na MS-320. “Porém não resolveu, pois logo vieram as chuvas e acabaram com toda a estrada”.