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Sidrolandia

Estudantes indígenas asseguram gratuidade e querem fundar associação paralela

Eles já têm garantida a manutenção da gratuidade e que o município será o responsável também por trazer até a cidade os 34 alunos que moram nas aldeias Córrego do Meio e Lagoinha

Flávio Paes /Região News

01 de Fevereiro de 2014 - 07:38

Foto: Marcos Tomé/Região News

Depois de aproximadamente uma hora de reunião, que se seguiu a tumultuada tentativa de invasão do seu gabinete na sexta-feira (31), o prefeito Ari Basso decidiu manter a gratuidade no transporte dos 52 acadêmicos indígenas que estudam em Campo Grande e Maracaju.

Embora tenham se mobilizado de forma conjunta com os seus colegas dos assentamentos para invadir o Paço Municipal e pressionar o Executivo, os índios decidiram negociar em separado. Eles já têm garantida a manutenção da gratuidade e que o município será o responsável também por trazer até a cidade os 34 alunos que moram nas aldeias Córrego do Meio e Lagoinha.

Aqui se juntarão aos 18 “patrícios” residentes na aldeia urbana Tereré na praça central onde embarcarão nos ônibus que transportarão o restante dos estudantes. Considerando que o contingente de alunos corresponde a lotação de um ônibus, o custo da Prefeitura seria de no mínimo R$ 15 mil, considerando apenas o trajeto a partir do centro da cidade.

Pelo acordo firmado após a tensa reunião com o prefeito, ficou acertado que neste primeiro mês de aula a Prefeitura vai deslocar um ônibus da frota do transporte escolar para o trajeto de aproximadamente 20 quilômetros das aldeias até a praça central onde embarcarão nos ônibus que os levarão, juntamente com os demais estudantes universitários, até as faculdades em Campo Grande e Maracaju. 

A Prefeitura vai bancar o custo da viagem dos terena em fevereiro, repassando um valor  adicional além dos R$ 77 mil assegurados inicialmente para  a União dos Estudantes de Sidrolândia pagar parte das despesas de fretamento. Segundo Jazanias Sol, estudante de pedagogia em Maracaju residente na Aldeia Tereré, a intenção dos terena é criar nos próximos 30 dias uma associação para eles próprios gerenciarem o transporte que atenderá apenas quem mora nas aldeias. 

Esta entidade teria uma subvenção especifica para custear o serviço, embora provavelmente, haja uma utilização compartilhada do ônibus que vai para Maracaju, já não haveria quantidade suficiente de universitários para lotar um ônibus específico para eles. Jaza, como é conhecido está revoltado com o tratamento discriminatório que diz ter recebido na UES.

“Fui até o local de cadastramento para me informar da situação e disse que no momento não tinha dinheiro para pagar taxa de inscrição. A Letícia me disse para trazer os documentos que daria um jeito. No dia seguinte fui lá com todos os documentos para fazer o meu cadastro. Os atendentes disseram que só fariam de quem pagar. Fiquei frustrado e decepcionado com tal situação, depois de muito esforço para entrar em uma faculdade tudo pode transformar em cinza”, desabafou numa postagem em seu facebook. 

Os indígenas, assim como os assentados, se insurgiram contra a União dos Estudantes de Sidrolândia, entidade recém-fundada que será responsável pelo transporte universitário. Eles se revoltaram contra a exigência de pagamento de uma taxa de adesão de R$ 25,00 e a decisão da União de não se responsabilizaram pelo transporte da zona rural até a cidade, explicitada num cartaz afixado na parede da antiga sede do Departamento Municipal de Trânsito, local cedido para que fosse feito o cadastramento.

“Não temos como pagar pelo transporte”, assegura a estudante do curso de técnico de enfermagem na Escola Paulo Freire, Geovana Gabriel, residente na Aldeia Córrego do Meio. “Já pago R$ 250,00 de mensalidade, não tem como pagar mais R$ 130,00 de transporte”, argumenta.

Nesta sexta-feira juntamente com alunos de assentamentos, um grupo de aproximadamente 60 terenas, alguns usando cocares, com os corpos pintados, entraram na prefeitura gritando palavras de ordem e mesmo diante da presença de policiais militares não se intimidaram, desafiaram os policiais a prendê-los (“não somos bandidos e chamamos a Policia Federal”), bateram boca com a Procuradora Jurídica Patrícia Dal Paz e com a mãe dela, a diretora do departamento de Administração, Sonia Dal Paz, que em vão tentaram convencê-los a formar uma comissão para negociar em nomes deles. Forçaram a porta do gabinete do prefeito até serem recebidos por Ari Basso que estava reunido com assessores.