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Sidrolandia

"Fichas-sujas" conseguem poucas doações para campanha

Apenas dez deles (20%) receberam doações diretas de pessoas jurídicas, e só o candidato ao Senado Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) teve apoio financeiro do partido.

Folha Online

13 de Agosto de 2010 - 14:14

Além de estarem impedidos pelos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) de concorrer nas eleições deste ano, os candidatos enquadrados na Lei da Ficha Limpa enfrentam a falta de doações de pessoas físicas e jurídicas para suas campanhas.

Levantamento feito pela reportagem nas prestações parciais de contas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de 152 candidatos barrados pela Justiça Eleitoral revela que, dos 50 fichas-sujas que declararam receita, 56% têm como principal fonte de recursos o próprio bolso ou doações feitas ao comitê.

Apenas dez deles (20%) receberam doações diretas de pessoas jurídicas, e só o candidato ao Senado Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) teve apoio financeiro do partido.

Para 14 desses 50 candidatos, o dinheiro próprio foi a única fonte de recursos da campanha, como no caso do ex-senador e candidato ao governo de Rondônia Expedito Júnior (PSDB).

Expedito colocou R$ 78 mil do bolso na campanha deste ano --100% do que arrecadou. Em 2006, quando concorreu (e foi eleito) ao Senado, o político conseguiu R$ 220 mil no primeiro mês de campanha -quase duas vezes mais do que neste ano.

Entre os fichas-sujas que financiaram toda a campanha com gastos próprios, o candidato a deputado federal Manoel Salviano Sobrinho (PSDB-CE) foi o que mais gastou: R$ 125 mil.

Já as doações ao comitê partidário foram a principal fonte de recursos de seis fichas-sujas, incluindo o ex-governador e candidato ao Senado Ivo Cassol (PP-RO).

O nome de quem faz esse tipo de doação só aparece na prestação final de contas do próprio comitê, e não na do candidato, como uma espécie de doação "oculta".

Ronaldo Lessa (PDT), candidato ao governo de Alagoas, é um dos quatro cuja candidatura foi bancada exclusivamente pelo comitê --R$ 1 milhão.

O coordenador da campanha de Cunha Lima, Gustavo Nogueira, diz que "é fato" que o indeferimento da candidatura "impacta, porque os doadores não sabem se ele vai obter ou não o registro."

Outro lado

Os "fichas-sujas" amenizaram a dificuldade de obter recursos de pessoas físicas e jurídicas na campanha.
Para Manoel Salviano Sobrinho (PSDB-CE), a dificuldade é permanente em campanhas eleitorais.

Segundo o candidato, o investimento de R$ 125 mil feito por ele em sua campanha só foi possível graças a "economias" e empréstimos.

Para Ivo Cassol (PP-RO), a decisão do TRE sobre sua candidatura não atrapalhou "absolutamente nada" a arrecadação da campanha.

A assessoria de Ronaldo Lessa (PDT-AL) disse que a campanha ainda está no início e que essa "demora" em obter doações é normal.

A assessoria de Expedito Júnior (PSDB-RO) não respondeu as ligações.