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Sidrolandia

Gasolina dispara e litro chega a R$ 3 reais em Mato Grosso do Sul

O preço do álcool e da gasolina continua subindo, apesar do anúncio do início da safra de cana-de-açúcar

O Progresso

02 de Maio de 2011 - 10:49

Os motoristas de Mato Grosso do Sul continuam levando um susto a cada nova parada no posto de combustíveis. O preço do álcool e da gasolina continua subindo, apesar do anúncio do início da safra de cana-de-açúcar. Em Dourados, o preço do litro da gasolina já ultrapassa os R$ 3 para o pagamento à vista. 

Em alguns postos, o preço chega aos R$ 3,07, o que tem assustado até os empresários do setor. “É um valor extremamente alto e não temos outra alternativa a não ser pagar”, reclama o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sinpetro/MS), José Tarso Moro da Rosa. Segundo ele, a expectativa é que o preço se estabilize nos próximos meses, com a evolução na colheita dos canaviais.

De acordo com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes, a alta tem sido atribuída aos maiores valores de aquisição junto às usinas e à majoração da base de cálculo dos tributos. “Estamos surpresos com a constante e persistente elevação dos preços de aquisição dos combustíveis, mesmo com as notícias de início da safra de cana-de-açúcar e da chegada dos carregamentos de anidro importado”, diz o presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda Soares.

Segundo dados da Federação, desde o início do ano o anidro já subiu 113% nas usinas, isto sem contabilizar frete ou impostos, o que elevou em 17% o custo da gasolina. No mesmo período, segundo a Fecombustíveis, o litro da gasolina subiu 9,5% na distribuição e 8,6% na revenda, analisando os dados médios para o Brasil divulgados pela ANP (Agência Nacional de Petróleo).

José Tarso Moro da Roas, do Sinpetro/MS, também defende que os empresários não foram advertidos sobre o novo reajuste. “Ninguém fala nada. O preço está oscilando tanto que, se você me perguntar o preço no meu posto, não sei dizer de cabeça”, afirmou. Tarso disse que, percorrendo alguns postos em Dourados, constatou que o preço chega a R$ 3,05 ou até R$ 3,07 em alguns locais.

Em contato com a Petrobras, o vice-presidente do Sinpetro foi informado que o reajuste está ligado à baixa disponibilidade de gasolina no mercado. “O etanol subiu tanto que muita gente migrou para a gasolina. Agora, falta gasolina nas revendas e o preço ficou mais alto”, diz ele, ao confirmar a carência do combustível nas revendedoras. “A gente manda dez caminhões e eles carregam quatro ou cinco. Realmente o estoque não tem atendido nem à demanda dos postos de combustível”, explica.

MEDIDAS

Segundo o empresário, o impacto só não tem sido pior porque o governo está barrando novos reajustes, apesar das pressões da Petrobras. Segundo ele, algumas medidas prometem amenizar a situação e até mesmo provocar queda nos preços – entre elas, a redução para 18% no nível de concentração de etanol na gasolina, medida adotada recentemente pela presidente da República, Dilma Rousseff (PT). Atualmente, a média de concentração é de 20% a 25% de etanol na gasolina.

Outra medida que também deve colaborar para a estabilização dos preços é a mudança no tipo de commoditie do álcool anidro, que deixa de ser agrícola para ser tratado como combustível. Esta alteração, segundo o Sinpetro/MS, obriga que a fiscalização seja feita pela ANP. “A agência deverá determinar um estoque regulador, para que não haja alternância de preço na entressafra”, explica.