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Sidrolandia

Indústrias de Sidrolândia sofrem com apagão de mão de obra

Flávio Paes/Região News

23 de Maio de 2011 - 23:22

Indústrias de Sidrolândia sofrem com  apagão de mão de obra
Ind - Foto: Marcos Tom

Embora desde dezembro de 2008 tenha uma unidade de formação  do SENAI (Serviço Nacional da Indústria), Sidrolândia  continua enfrentando um autêntico apagão de qualificação da mão-de-obra que trava  a expansão das duas indústrias de confecção instaladas na cidade (TIP TOP e Via Blumenau). 

O Senai funciona com capacidade ociosa, hoje treina só 26 jovens  do programa do menor aprendiz.  As 20 máquinas de costura industrial de que dispõe estão paradas.  Um dos últimos cursos oferecidos foi de informática básica que beneficiou 17 funcionários da Seara  Marfrig.

Para agravar este cenário de dificuldades,  pelo segundo ano consecutivo não haverá recursos do Ministério do Trabalho e Emprego, via Fundo de Amparo ao Trabalhador, para subsidiar a qualificação de trabalhadores para  as indústrias de confecção.  Sidrolândia foi contemplada com 60 vagas para atender a demanda de  pessoal das usinas de álcool da região.

A única usina com unidade no município, a do distrito de  Quebra Coco, está com equipamentos em manutenção. O gerente da Tip Top em Sidrolândia, Jefferson Araújo, admite que um dos fatores que dificulta a oferta de mais cursos profissionalizantes é o valor cobrado pelo Senai, R$ 950,00 por  226 horas/aula, 156 práticas e 70 teóricas.

“Acredito que seria possível fazer um treinamento deste porte por R$ 450,00”, calcula. O FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) paga R$ 3,95  pela hora-aula, quando as do Senai não saem por menos de R$ 4,42.

Ano passado, a prefeitura (que pagou os instrutores ) e a empresa (que ofereceu todo o material de treinamento) promoveu um curso de costura industrial. Dos 200 inscritos, só 80 terminaram o treinamento (e estão empregados). Os demais desistiram. Para este ano foram abertas inscrições (com 200 vagas) para um novo curso.

A Tip Top decidiu montar seu próprio sistema de treinamento de pessoal. Contratou 30 funcionários e os está pagando R$ 565,00 para que possam aprender o ofício para se tornarem profissionais da costura industrial. A empresa também está treinando 16 jovens do programa “menor aprendiz”.

O reflexo   da falta de uma política oficial mais agressiva de qualificação da mão de obra é que as indústrias não  conseguem viabilizar  um turno extra  de  produção por falta de funcionários treinados. A Tip Top, com 360 funcionários, tem hoje oito módulos de produção funcionando e seis parados cada um com 10 máquinas.

Produz em média 8 mil peças por mês. Se conseguisse pessoal, dobraria a oferta de emprego com o turno adicional. A Via Blumenau, com 240 trabalhadores, planeja contratar este ano  100 funcionários para garantir seu plano de expansão que prevê a construção de três galpões de 400 metros, instalação de mais setes máquinas de fiação para sua tecelagem.

Hoje a fábrica produz mensalmente 90 mil peças e 90 toneladas de malha, com 13 máquinas. A rotatividade da mão de obra é outro complicador da expansão. Pouca gente mostra interesse em permanecer trabalhando muito tempo cumprindo uma jornada de segunda a sexta-feira das 7 da manhã às 4h48 da tarde para ganhar R$ 555,00 (R$ 45,00 acima do mínimo) e uma cesta básica de R$ 40,00 para quem não tiver falta.