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Sidrolandia

Líderes de protesto voltam às funções de origem e secretário nega perseguição

Os servidores voltaram as suas funções de origens (as do concurso em que foram aprovados), perdendo gratificações e horas extras.

Flávio Paes/Região News

27 de Agosto de 2013 - 16:00

Foto: Franciane Trindada/Região News

Líderes de protesto voltam às funções de origem e secretário nega perseguição

Prefeito Ari Basso e secretário interino de Obras, Altino Dickel

Alguns funcionários da Secretaria de Obras de  Sidrolândia que  no último dia 05 lideraram um protesto para cobrar o recebimento de horas extras,  estão ociosos, cumprindo expediente sobre as sombras do pé de jaca que ornamenta o pátio da Secretaria.  Os servidores voltaram as suas funções de origem (as do concurso em que foram aprovados), perdendo gratificações e horas extras.


Eles interpretaram a medida como retaliação política, mas o secretário interino de Obras Altino Dickel garante: a decisão não é uma perseguição, simplesmente, a Prefeitura está cumprindo a legislação que proíbe o desvio de função. “Quem quiser exercer atividade diferente, deve se habitar no concurso programado para este ano”, aconselha o secretário.


Altino garante não haver prejuízo à continuidade do serviço de manutenção das estradas rurais. É que metade dos equipamentos rodoviários (caminhões, tratores, patrolas) da Prefeitura estão sucateados, alguns com mais de 20 anos de utilização. Das 11 patrolas, só três estão funcionando, mesma situação dos 10 caminhões.


Líderes de protesto voltam às funções de origem e secretário nega perseguição“Faltam recursos para compra de peças que permitiriam recolocar em funcionamento algumas destas máquinas”, reconhece.  Um dos atingidos pela medida “cabidão”, ou pendurados com o fim do “desvio de função”, é o ex-presidente do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais, Adão Ortiz, operador de máquina concursado há 36 anos, que desde janeiro vinha trabalhando como motorista.


Na semana passada foi afastado  da função, voltou às sombras do pé de jaca, decisão que ele atribui a “uma perseguição política”. Adão sempre teve ligação com o ex-prefeito Daltro Fiuza, tendo até sido candidato a vereador em 2012. O secretário de Obras garante que tirou Adão do trabalho como motorista, porque ele tem problemas de saúde (é diabético) e quase provocou dois acidentes.


Segundo o secretário, a primeira ocorrência foi a cerca de 15 dias quando o caminhão da Prefeitura (conduzido por Adão) por pouco não bateu numa caminhonete e no segundo caso, o acidente seria com um ônibus escolar lotado de alunos. “O objetivo foi preserva-lo a quem conheço há muito tempo”, comenta Altino.


Adão nega direção perigosa. Em sua avaliação, as recentes declarações dadas à imprensa a cerca do reajuste salarial e o protesto no pátio de obras, são as principais causas de seu isolamento. Outro funcionário atingido pelo fim dos desvios de função foi Francisco Gaúna “Chicão” que também  participou dos protestos no último dia 05.


Líderes de protesto voltam às funções de origem e secretário nega perseguiçãoConcursado como auxiliar de serviços gerais, nos últimos oito anos trabalhou na Secretaria de Saúde e como gerente da estação rodoviária. Estas funções lhe permitiram mais que dobrar os vencimentos de serviços gerais com remuneração pouco superior R$ 700,00. Já como operador de patrola, trabalho que vinha desenvolvendo desde janeiro, elevou seus ganhos a R$ 1.350,00, mais gratificações e hora-extra.


O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Idemar Marcos, durante entrevista ao Região News, garante que vai tomar medidas para apurar o caso. Em sua avaliação, se houver perseguição o Sindicato deve interferir no sentido de buscar um entendimento entre a prefeitura e os servidores. Em caso de desvio de função, devem ser observadas como ajuste todas as medidas de maneira coletiva e não isolada.