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Sidrolandia

MS está entre 5 Estados com mais mortes causadas por raios e dias chuvosos preocupam

Em todo o país foram 1.672 mortes entre 2000 e 2013. De acordo com o levantamento, 43% dos casos ocorrem no verão

Midiamax

28 de Outubro de 2014 - 11:00

Mato Grosso do Sul é o 5° Estado com maior índice de mortes provocadas por descargas elétricas no país. Um levantamento realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revela que em 13 anos foram registrados 105 casos no Estado. Com tantas incidências, as chuvas frequentes deixam a região em alerta.

Conforme o estudo, cerca de 50 milhões de raios caem em solo brasileiro todos os anos. Em todo o país foram 1.672 mortes entre 2000 e 2013. De acordo com o levantamento, 43% dos casos ocorrem no verão. Em MS, Campo Grande é o município com maior registro de mortes provocadas por descargas elétricas, são 8 a cada ano.

Na última quinta-feira (23), um raio atingiu uma caixa d’água ao lado de uma sala de aula e provocou o destelhamento de dois blocos na Escola Municipal José Dorileo de Pina, localizada na Vila Alves Pereira, região sul da Capital. Na ocasião, dois alunos ficaram feridos e foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros.

Segundo o doutor em geofísica espacial, Moacir Lacerda, os raios ocorrem por causa das descargas elétricas que conectam as nuvens de tempestade na atmosfera e solo. De acordo com Lacerda, com intensidade de 30 mil ampéres, o que equivale a 60 mil lâmpadas acesas, as chances de uma pessoa sobreviver, caso seja atingida, são mínimas e é importante tomar alguns cuidados.

“É necessário abaixar o máximo que puder e evitar tudo que tenha elevação, mas a pessoa não deve ser deitar porque as correntes elétricas também passam pelo chão. A posição de cócoras é a melhor porque diminui as chances de a descarga elétrica percorrer o corpo inteiro”, explicou.

Lacerda alertou para a importância de observar as previsões meteorológicas e evitar se expor aos riscos. Conforme o geofísico, em casos de chuvas acompanhadas por trovoadas, é indicado suspender atividades em campos abertos. “O local mais seguro é dentro das casas por causa da cobertura", garantiu.

O geofísico destacou ainda que os índices de os índices de raios são mais frequentes em campos abertos e que os para-raios não garantem 100 % de proteção. “Eles oferecem um caminho mais seguro para a descarga elétrica, no entanto, não eliminam os riscos porque depende muito da altura em que foram instalados e de outros fatores que devem ser observados”, justificou.

A UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) desenvolveu um sistema que consegue avaliar o risco de raios até 15 minutos antes de ocorrer a descarga elétrica. "Esse sistema ficará acessível à população, mas primeiro estamos ampliando a rede. Contamos com quatro sensores. Isso vai ajudar a prever a localização dos raios", afirmou. Para desenvolver o sistema foram investidos  R$ 500 mil e três anos de estudos.