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Sidrolandia

MS ganha primeira Vila Olímpica Indígena do Brasil

Os indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó estão ansiosos em usufruir da Vila Olímpica. Entre eles, já se combina competições

Notícias MS

09 de Maio de 2011 - 17:43

Dourados ganhou nesta segunda-feira (09) a primeira Vila Olímpica Indígena do Brasil. O complexo foi inaugurado pelo governador André Puccinelli, mas não pôde contar com a presença do ministro dos Esportes, Orlando Silva por causa de uma pane na aeronave do ministro.

Iniciado em 2008, o projeto soma investimentos da ordem de R$ 1,6 milhão, por meio do Ministério do Esporte e viabilizados através de emendas parlamentares apresentadas pelo deputado federal Geraldo Resende. A Vila está localizada na reserva indígena de Dourados, entre as aldeias Jaguapiru e Bororó.

O governador foi recepcionado por um grupo de mulheres indígenas e recebeu uma saudação com cantos na língua guarani como forma de benção. André visitou os espaços da Vila Olímpica como o complexo esportivo que conta com pista de atletismo e o campo de futebol.

Durante a abertura do evento, o governador assistiu às apresentações culturais da comunidade indígena como o quarteto indígena, a tradicional dança do Bate Pau e o Coral de crianças do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) “Kunimin Verá”. O Coral é formado por 90 crianças da Aldeia Bororó e levaram uma mensagem de paz através da música “Esse planeta também é seu”. 

Conforme o coordenador de ensino do único Peti Indígena do Brasil, professor Vilmar Pantaleão, a Vila Olímpica será utilizada para atividades esportivas do grupo com foco na ação socioeducativa. “Com o trabalho na área do esporte podemos trabalhar a prevenção de drogas que também envolve o alcoolismo. Temos o sonho de implantar também no grupo a ginástica olímpica com as nossas crianças”, afirmou.

Para o vice-cacique da Aldeia Jaguapiru, Leomar Mariano Silva, o dia é de alegria porque está vendo uma obra que é resultado de um trabalho conjunto e que vai trazer melhorias para a comunidade indígena. “Isto aqui é fruto de políticos que trabalham em prol dos índios. É um recomeço para a comunidade onde os jovens encontrarão novas perspectivas de vida. O maior problema hoje são as drogas e nossos índios vão sair daqui vitoriosos porque existe um caminho melhor. O índio não vai morrer de tristeza porque não tem o que fazer”, ressaltou.

Para o coordenador do Observatório dos Direitos Indígenas da região centro-oeste, Wilson Matos da Silva, a Vila Olímpica é um investimento que vai combater as drogas e a violência, entre tantos problemas vistos na comunidade indígena. “A Vila Olímpica é um instrumento que vai formar atletas e vai acabar com as recentes noticias ruins como o suicídio e a violência. Será um divisor de águas que vai oferecer um futuro melhor para os nossos filhos. Para isso precisamos da união de todos e vejo como positiva a participação do governador André Puccinelli nesta iniciativa”, destacou.

O deputado federal, Geraldo Rezende destacou que esta parceria resultou na construção da Vila Olímpica, cujas obras começaram em 13 de maio de 2008. O deputado apresentou no Orçamento Geral da União/2006, uma emenda individual de R$ 400 mil no Ministério dos Esportes e contou com a parceria do colega Fernando Gabeira que destinou outra emenda de R$ 300 mil para a mesma obra. Além disso, a Prefeitura entrou com contrapartida de R$ 180 mil, totalizando R$ 800 mil. Em 2008, Geraldo Resende apresentou outra emenda de R$ 750 mil, sendo que o Estado investiu mais de R$ 83 mil.

Em seu discurso, o governador André Puccinelli disse que as aldeias Bororó e Jaguapiru já são há muito tempo conhecidas do Governo do Estado. Ele lembrou que por meio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o Estado realizou o censo indígena que contabilizou 69 aldeias indígenas e um acampamento indígena. “Entregamos patrulha mecanizada; em parceria com a União construímos 1.461 casas e 11 escolas; Além disso, entregamos 14.267 cestas básicas de 27 quilos e fizemos o Vale Universidade Indígena onde ampliamos de 100 para 120 vagas”, informou.

Para o governador os problemas serão minimizados nas aldeias com o esporte que é inclusivo. “Esta Vila Olímpica poderá fazer com que as crianças gastem a energia em atividades esportivas e não fiquem à mercê do mal do século que são as drogas. Esta Vila representa a visão de quem realmente entende o indígena como nosso irmão”, finalizou.

Vila Olímpica

A Vila Olímpica possui uma área de 29 mil metros quadrados. Além da quadra de esportes de estrutura metálica e vestiário com área construída de 1.116 metros quadrados, o complexo conta com campo de futebol com vestiários, de 5.400 m2; pista de atletismo (2.735 m2); quadra de vôlei de areia (336 m2); e calçamento com 3.252 metros quadrados.

Os indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó estão ansiosos em usufruir da Vila Olímpica. Entre eles, já se combina competições. A alegria pela obra é compartilhada desde já por todos na Reserva de Dourados, pois veem na primeira Vila Olímpica Indígena a perspectiva desse espaço vir a ser o palco principal dos Jogos Indígenas de Mato Grosso do Sul, que são realizados há 12 anos no Estado.

O complexo é dotado de uma quadra de esportes de estrutura metálica, campo de futebol, pista de atletismo, quadra de vôlei de areia, parque infantil, vestiários, banheiros adaptados e ainda um prédio administrativo. Por ser a única praça de esportes do gênero em todo Brasil, os indígenas acreditam que ela vai espelhar outros projetos, mas o que mais se destaca é o alcance social da obra no sentido de dar uma perspectiva de futuro melhor às comunidades indígenas.