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Sidrolandia

PF estoura bocas de pó e cumpre mandados nas aldeias de Dourados

O clima é tenso entre indígenas que temem um confronto entre traficantes e policiais

Dourados Agora

10 de Junho de 2011 - 10:53

Polícia Federal e Força Nacional deflagram operação conjunta na Reserva Indígena de Dourados contra o tráfico de drogas e armas. Segundo noticiaram, ontem, o Douradosagora e O Progresso, foram identificados pelo menos 40 pontos de venda de entorpecente nas aldeias Bororó e Jaguapiru. A informação foi confirmada pelo Observatório Indígena. O Douradosagora antecipou a notícia ontem, com várias reportagens sobre a invasão de traficantes nas aldeias de Dourados, onde crianças e adolescentes são reféns do tráfico que explora mão de obra escrava.

Na manhã desta sexta-feira, agentes federais se posicionaram em vários pontos da Bororó e Jaguapiru. Doze equipes policiais cumprem mandados de busca e apreensão e de prisões. Já nas primeiras horas de hoje foram apreendidas drogas e armas. Pontos de venda de droga foram fechados. O clima é tenso entre indígenas que temem um confronto entre traficantes e policiais. O Douradosagora e jornal O Progresso acompanham o andamento dos trabalhos.

Conforme levantaram o site Douradosagora e jornal O Progresso, a ausência de policiamento ostensivo nas aldeias favoreceu a instalação do tráfico em dezenas de casas, muitas das quais foram tomadas das famílias como pagamento a dívida com traficantes. Por conta da facilidade em atuar na Reserva, nem mesmo as escolas e estudantes escapam das garras do narcotrárico.

PF estoura bocas de pó e cumpre mandados nas aldeias de DouradosPolicia entra nas aldeias de Dourados. foto - Hedio Fazan

As drogas chegam facilmente às salas de aula na Reserva indígena de Dourados. Na escola Tengatui Marangatú, professores convivem com o medo devido a falta de segurança.

Conforme o diretor da escola, Josias Aeda Marques, os alunos falam muito sobre uso de maconha e o estado de “nóia” que o entorpecente causa. Ele acredita que o ingresso dos adolescentes no mundo do crime, através dos traficantes que se refugiam nas aldeias, é evidente. “A venda das drogas é tão fácil nas aldeias que há relatos de alunos e pais sobre o envolvimento de adolescentes em esquema de disk entrega da droga”, lembra.

Foi preciso uma força-tarefa entre os educadores e direção da escola para evitar que o “mal” das drogas se espalhasse entre os alunos. O diretor da escola, Josias, contou à reportagem que logo que assumiu o comado da escola, em 2009, a situação era de caos. Alunos andavam livremente, segundo ele, com armas brancas e entorpecentes. Na época um aluno de 17 anos, viciado em drogas, teve que ser retirado da escola para tratamento médico, mesmo contra vontade.

“Ele agredia com socos e tapas as crianças menores. Além disso, tentou agredir um coordenador”, conta. Segundo ele, a mãe informou na época que ele passou por tratamento, esteve internado, mas voltou ao mundo do vício e consequentemente ao crime. Segundo ele, outros casos foram registrados. “Os alunos são vítimas os pais alcoólatras ou viciados em drogas.

 
PF estoura bocas de pó e cumpre mandados nas aldeias de Dourados Arma branca e drogas apreendidas recentemente nas aldeias de Dourados. foto - HEDIO FAZAN

O diretor mostra apreensões registradas este ano na escola. São porções de maconha, facas, um suporte manual que imita o cachimbo para uso de crack, entre outros. Em anos anteriores as apreensões, segundo o diretor, foram bem maiores.

“Chamamos toda a comunidade escolar e expusemos o problema. Alertamos sobre as regras da escola. À medida do possível estamos fazendo com que elas sejam cumpridas”, conta, alertando que se houvesse segurança nas aldeias, o medo, a criminalidade e a violência seriam menores. Segundo ele, os alunos foram alertados da importância do não envolvimento com as drogas. Dissemos a eles que quem não está interessado a estudar vai dar vaga para outro que já está na fila de espera”, disse. O diretor diz que o problema da evasão escolar causada por drogas e alcoolismo nas aldeias está controlado hoje, mas isto porque em condições miseráveis em que a maioria das famílias vivem, a ida a escola garante ao menos o que pode ser a única refeição do dia. Programas sociais como o Bolsa Família, teriam ajudado os alunos a permanecerem na escola, uma vez que para receberem o benefício é preciso estar matriculado e frequentando as aulas. Já fizemos várias reuniões com o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Funai, mas até o momento nenhuma providência foi tomada”, disse.