Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Segunda, 24 de Junho de 2024

Sidrolandia

PF indicia por "incitação ao crime" fazendeiro que anunciou guerra contra índios

Midia Max

04 de Setembro de 2012 - 08:13

O fazendeiro Luis Carlos da Silva Vieira, conhecido como “Lenço Preto”, foi indiciado pela Polícia Federal na última quinta-feira (30) pelo crime previsto no artigo 286 do Código Penal Brasileiro, que é incitar publicamente a prática de um crime.

Ele declarou em entrevista gravada e em vídeo ao Midiamax que estaria convocando pessoas para a “guerra” contra os índios na região de Paranhos, a 477 quilometros de Campo Grande. 'Lenço Preto é herdeiro de terra na região e tinha gado em uma das fazendas retomadas no último dia 10 de agosto na tekohá Arroyo Corá.

De acordo com o delegado da Delinst (Delegacia de Assuntos Institucionais da Polícia Federal), Marcelo Alexandrino de Oliveiro, o indiciamento mostra o compromisso da Polícia Federal de cumprir com o seu dever legal de manter a paz na região.

“A Polícia Federal não admitirá ameaças nem violências, seja por parte dos indígenas, seja por parte dos fazendeiros”, disse o delegado. No vídeo, Luis Carlos da Silva Vieira declarou que reuniria os fazendeiros e os armaria para uma guerra contra os índios.

“Se o Governo quer guerra, vai ter guerra. Se eles podem invadir, então nós também podemos invadir. Não podemos ter medo de índio não. Nós vamos partir pra guerra, e vai ser na semana que vem. Esses índios aí, alguns perigam sobrar. O que não sobrar, nós vamos dar para os porcos comerem”, disparou.

O fazendeiro contou que já houve conversas com outros produtores da região e confirmou que o conflito armado foi considerado uma opção.  “A maioria dos fazendeiros está comigo. Arma aqui é só querer. Eu armo esses fazendeiros da fronteira rapidinho, porque o Paraguai fica logo ali, e na guerra não tem bandido”, avisou.

O delegado Marcelo Alexandrino garantiu que a Polícia Federal está monitorando a situação na região de conflito fundiário e que a prova disso foi a polícia ter acompanhado a retirada do gado que estava na área retomada pelos índios.