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Sidrolandia

Polícia espera chegar a mandante de execução com prisão de prefeito

As prisões são válidas por 30 dias e o processo corre sob sigilo. Em entrevista coletiva, o assessor de imprensa da Polícia Civil

Flavio Paes com informações do Campo Grande News

20 de Julho de 2011 - 14:29

Com as prisões realizadas hoje, a Polícia espera esclarecer quem foi o mandante da execução do vereador Carlos Antonio Carneiro, então presidente da Câmara de Alcinópolis, morto em Campo Grande dia 26 de outubro do ano passado, nas proximidades do Hotel Vale Verde.

Estão presos o prefeito Manoel Nunes da Silva (PR), o presidente da Câmara, Valter Roniz (PR), os vereadores Enio Queiroz (PR) e Valdeci Lima (PSDB), o comerciante Ademir Luiz Muller e a funcionária da prefeitura Jurdete Marques de Brito. Ela também é namorada de Irineu Maciel, preso pela execução do vereador.

As prisões são válidas por 30 dias e o processo corre sob sigilo. Em entrevista coletiva, o assessor de imprensa da Polícia Civil, delegado Sidnei Alberto, afirmou que os presos vão ficar em celas separadas.

A estratégia é evitar que eles conversem. O local em que ficarão presos não foi divulgado. Caso haja desencontro nas versões, a polícia fará acareações, inclusive com os presos que já respondem pelo crime. Também foram cumpridos seis mandados de busca, com apreensão de documentos e computadores. Sobre o fato de ter decorrido quase dez meses do crime, o delegado afirma que a investigação só prossegue mediante surgimento de novos indícios, mas não explicou que prova sustenta as novas prisões.

Por ter foro privilegiado, a prisão do prefeito foi autorizada pelo TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). Um comboio de quatro viaturas trouxe os presos para Campo Grande. Não está descartada a possibilidade de novas prisões.

Versões – Após o assassinato do vereador, Irineu Maciel foi preso em flagrante por policiais civis que passavam próximo ao hotel. Ele foi levado ao local do crime na garupa da moto de Aparecido Souza Fernandes, de 35 anos.

Na delegacia, o pistoleiro relatou que o crime foi intermediado pelo seu cunhado Valdemir Vansan. A morte do vereador teria sido contratada por uma terceira pessoa, cujo nome não foi revelado. Valdemir foi preso horas depois do assassinato.

Ainda na delegacia, Ireneu disse que receberia R$ 20 mil, sendo R$ 3 mil adiantados, pelo crime e que o revólver calibre 38 lhe foi entregue pelo cunhado. O acerto era para “fazer uma pessoa”, cujo nome foi repassado por Valdemir.

Em interrogatório diante do juiz, Irineu deu uma nova versão para o crime. De acordo com ele, o motivo foi vingança porque o vereador o teria humilhado. O pistoleiro também afirmou ser dono da arma utilizada na execução.

Passagem - Conforme a acusação, Irineu Vansan recebeu uma passagem de ônibus da prefeitura da cidade para viajar de Alcinópolis a Coxim, no dia 1º de outubro, uma das vezes em que esteve na cidade para tentar consumar o crime. A prefeitura alegou informou que é obrigação do poder público conceder esse tipo de benefício a pessoas que pedem ajuda para deixar a cidade.

A justiça determinou que Valdemir, Irineu e Aparecido fossem levado a júri popular, mas os acusados recorreram da decisão. Desde o início das investigações o pai do vereador, o vice-prefeito Alcino Carneiro, aponta o envolvimento do prefeito no assassinato, mas, até então, no decorrer do processo não foi provada nenhuma conotação de crime político. Na ocasião, prefeito negou qualquer participação.