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Sidrolandia

Prefeitos do interior oferecem duas vezes o próprio salário para conseguir atrair médicos

Quando os municípios abrem concurso público oferecendo menos do que R$ 12 mil de salário não conseguem candidatos

Correio do Estado

29 de Julho de 2013 - 00:16

Como em qualquer leilão, as prefeituras do interior do Mato Grosso do Sul só conseguem contratar médicos na base do “quem dá mais”. Nos municípios do interior do Estado inscritos no programa “Mais Médicos”, do governo federal, tem profissional ganhando até R$ 28 mil, sete vezes mais que o salário que a Prefeitura de Campo Grande vai pagar para médicos temporários.

Quando os municípios abrem concurso público oferecendo menos do que R$ 12 mil de salário não conseguem candidatos. O jeito e partir para a contratação de emergência. Os prefeitos oferecem duas vezes o próprio salário para conseguir atrair os médicos para seus municípios e têm de fazer verdadeira “ginástica” para não cair na ilegalidade, uma vez a Constituição Federal estabelece a remuneração do chefe do Executivo como teto para os salários dos servidores municipais.

É o caso do município de Caracol. Com 6 mil habitantes, a cidade tem dois médicos. Um deles, que trabalha todos os dias da semana, ganha R$ 28 mil. O outro, médico de Ponta Porã, recebe R$ 25 mil para ir ao município três vezes na semana. Eles recebem mais que o dobro do salário do prefeito, de R$ 9 mil.

Os dois médicos de Caracol trabalham no Programa de Saúde da Família e no hospital da cidade, que é filantrópico. “Este programa é fantástico. Não digo que é o caso dos nossos profissionais daqui, mas os médicos dizem que no interior não tem estrutura para trabalhar, mas se o salário for de 30 mil eles esquecem da estrutura e vem”, critica Viais. A reportagem é de Anahi Zurutuza.