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Sidrolandia

Produção industrial tem melhor semestre desde 2002

No ano, indústria tem alta de 16,2%, mas já acumula três meses seguidos de queda

Último segundo

03 de Agosto de 2010 - 11:00

Apesar de fechar junho com o terceiro recuo consecutivo, a produção industrial encerrou o primeiro semestre com o melhor resultado desde o início da série histórica, em 2002. O crescimento no acumulado dos seis primeiros meses de 2010 foi de 16,2% frente a igual período de 2009. Em junho, frente a maio, entretanto, houve queda de 1%, a terceira baixa seguida, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado recorde do semestre é atribuído à baixa base de comparação dos primeiros seis meses de 2009, quando a indústria sofria os fortes impactos da crise internacional. "O resultado de junho reforça os sinais de redução no ritmo da atividade fabril, que marca o terceiro mês consecutivo de queda frente ao mês anterior na série ajustada sazonalmente", disse o IBGE.

Em relação a junho de 2009 houve expansão de 11,1%, a menor marca desde os 5,3% assinalados em novembro do ano passado. Com isso, o acumulado no ano (16,2%) ficou abaixo do registrado nos últimos meses.

"Nos confrontos contra iguais períodos de 2009, os resultados permaneceram positivos e atingiram a maioria dos segmentos industriais investigados, mas com redução na intensidade do crescimento frente aos índices do início do ano, refletindo não só a elevação da base de comparação, mas também a diminuição do ritmo produtivo dos últimos três meses", afirmou o instituto.

Setores

A queda de 1% entre maio e junho alcançou 20 dos 27 ramos pesquisados e todas as categorias de uso. O setor de outros produtos químicos, que caiu 4,4%, teve o maior impacto negativo sobre a média global do mês.

Máquinas para escritório e equipamentos de informática (-11,6%), alimentos (-1,6%), produtos de metal (-5,2%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-4,9%), farmacêutica (-3,4%) e veículos automotores (-1,1%) completam a lista de maiores baixas.

Na outra ponta da tabela aparecem a produção, refino de petróleo e produção de álcool (2,6%), edição e impressão (2,9%) e bebidas (2,6%).

Entre as categorias de uso, os bens de consumo duráveis tiveram a maior baixa mensal, com recuo de 3,2% frente a maio. Os bens de capital, por sua vez, baixaram 2,1%, o primeiro resultado negativo desde março de 2009. Os setores produtores de bens de consumo semi e não duráveis (-0,8%) e de bens intermediários (-0,7%) também apontaram índices negativos.

Acomodação

Para o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, a retração da produção industrial não representa um resultado ruim. Segundo ele, os números são referentes à produção industrial de junho e por causa da Copa do Mundo houve um número menor de horas trabalhadas no mês.

“Como a Copa é um evento que acontece a cada quatro anos, conseguir expurgar seu efeito da série é um procedimento difícil, para não dizer impossível. Mesmo que confirme uma queda de -1%, isto não deve ser lido como desaceleração econômica, mas sim acomodação na atividade”, avalia.

Os especialistas avaliam que o setor deve fechar o semestre com um forte resultado, acima de 14%, segundo a média das projeções, na comparação com o mesmo período do ano passado.

No ano, o segmento deve apresentar elevação entre 11% e 12% sobre o desempenho de 2009, quando houve queda de 7,4%, o maior recuo desde 1990. No ano passado, o desempenho da indústria foi afetado pelos efeitos da crise econômica internacional, iniciada em setembro de 2008