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Sidrolandia

Projeto Rio de Leite será lançado dia 29 com meta de triplicar produção

As indicações podem variar conforme a característica da propriedade e a capacidade de investimento do produtor

Flávio Paes/Região News

20 de Julho de 2011 - 09:00

No próximo dia  29 será lançado no Assentamento Geraldo Garcia o “ Rio de Leite”,  projeto desenvolvido por professores da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul)  do campus de Aquidauana. A aplicação das técnicas  em  20 pequenas propriedades de Aquidauana e Anastácio  triplicou a produtividade do rebanho leiteiro.

Durante seis meses as recomendações de manejo serão ensinadas numa unidade experimental de 5 hectares  a 30 assentados. Eles tem lotes  num raio de 50 quilômetros da unidade, abrangendo os assentamentos São Pedro, Geraldo Garcia e Santa Lúcia. O Rio de Leite é um projeto alternativo ao Balde Cheio que está sendo testado em alguns lotes dos assentamentos Jibóia e Capão Bonito, financiado por laticínios que compram  a  produção dos assentados. O seu diferencial sobre o “balde” é  o menor custo de implantação para o produtor.

 A implantação do projeto, que tem o apoio da Prefeitura  e foi articulada pelo presidente da  Associação dos Produtores do Geraldo Garcia, Edvaldo dos Santos, exige num primeiro momento investimento mínimo dos assentados (arame para cercar os piquetes e sementes para o plantio e renovação da pastagem)enquanto no balde cheio o custo gira em torno de R$ 1,500 mil. O valor é referente a construção de mangueiros e compra de material e a despesa com a mão de obra para instalar o sistema de irrigação.

A meta do Rio de Leite é ousada, num prazo de seis meses, elevar de 60 para 180 litros diários a produção média das famílias participantes. Esta produtividade, dependendo da cotação de mercado do leite, pode assegurar uma renda mensal superior a R$ 1.300,00.  A proposta é que  os 30  produtores selecionados não só  aprendem as técnicas de manejo preconizadas pelo projeto, se convençam da sua viabilidade e as adotem em suas propriedades, mas também sirvam de multiplicadores deste conhecimento para sensibilizar seus vizinhos a encampar  a ideia. O trabalho será acompanhado em tempo integral por um zootecnista, além de visitas mensais de estagiários do curso de zootecnia  sob supervisão de professores.

Diante dos  resultados do Rio de Leite o  projeto  idealizado pelos professores, André Rozemberg Peixoto Simões e Marcus Vinicius Morais de Oliveira,  recebeu o reconhecimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, sendo selecionado em 2007  como proposta inovadora para a agricultura familiar.  Isto garantiu  R$ 180 mil  para custeio, bolsas de extensão e capital  durante 30 meses.

O que é o projeto?

O “Rio de Leite” , além de técnicas especificas de manejo do gado, inclui assistência técnica sistemática ao produtor que recebe visita semanais de alunos do curso de zootecnia com supervisão mensal de um médico veterinário , um agrônomo e de um zootecnista, sob coordenação dos professores.

Dentre as tecnologias específicas para o gado leiteiro que estão sendo implantadas, o professor Marcus Vinícius cita a desmama precoce dos bezerros (cerca de 2 meses); ordenha das vacas duas vezes ao dia; emprego da técnica de inseminação artificial ou o uso de touro com aptidão leiteira, como o girolando (nunca o nelore); uso de pastagens de boa qualidade, o cultivo de capineiras como cana-de-açúcar e capim elefante para a confecção de silagem e o uso de leguminosas como o estilosantes (pesquisa Embrapa).

Na parte ambiental, se recomenda a preservação dos recursos naturais por intermédio da recuperação e preservação de nascentes; recuperação de mata ciliar; revegetação de áreas internas da propriedade para formação de reservas protegidas, entre outros benefícios.

As indicações podem variar conforme a característica da propriedade e a capacidade de investimento do produtor. Aqueles com mais condições, se recomenda a formação de plantel da raça girolanda, recurso a inseminação artificial e renovação da pastagem, com o uso do capim bizantino, variante rústica, solos mais pobres, pedregosos, com pouca disponibilidade de água.