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Sidrolandia

Sabatinado por acampados, superintendente do Incra foge de respostas conclusivas sobre novos assentamentos

Na conversa, testemunhada pelo prefeito Ari Basso, Cestari não deu muitas esperanças de que em curto prazo sejam criados novos assentamentos.

Flávio Paes/Região News

19 de Agosto de 2014 - 22:35

            Representantes dos acampados e assentados que segunda-feira a noite estiveram no Sindicato dos Trabalhadores Rurais para sabatinar o superintendente regional do Incra,Celso Cestari, ao invés de esclarecimentos sobre seus questionamentos, receberam respostas evasivas, explicações vagas sobre estudos desenvolvidos pela autarquia em todo o Estado para identificar novas áreas que poderão ser adquiridas ou desapropriadas para a reforma agrária.              Atualmente  Sidrolândia tem 24 assentados,  com aproximadamente 4 mil famílias que ocupam 80 mil hectares aproximadamente. São 600 quilômetros de estradas que a Prefeitura enfrenta dificuldades para manter, por falta de estrutura de pessoal e equipamentos.  O último assentado foi criado em dezembro de 2013, o Nazaré.. Até agora as 171 famílias beneficiadas estão embaixo de lona em lotes que só há dois meses foram cortados.  

Na conversa, testemunhada pelo prefeito Ari Basso, Cestari não deu muitas esperanças de que em curto prazo sejam criados novos assentamentos no município para contemplar as 5 mil famílias acampadas ou que os movimentos sociais têm cadastradas como interessadas em obter um lote num assentamento. 

“O problema é que o custo da terra nesta região (Sidrolândia) é muito alto, bem acima dos limites que o Incra está autorizado a negociar”, admitiu Cestari, frustrando a expectativa dos acampados de que as fazendas Brejão, Aracoara e Luana, localizadas entre Campo Grande e Sidrolândia, sejam adquiridas para a reforma agrária. Em frente destas propriedades, que juntas somam 25 mil hectares, há centenas de acampados.

Um dos acampamentos mais antigos é o da Fazenda Brejão. Depois de nove anos instalado na antiga da estrada boiadeira, proximidades da JBS/Seara, aproximadamente 50 das 253 famílias desistiram de esperar pela desapropriação ou compra da propriedade. Pela proximidade com a área urbana, transformou-se numa favela, onde não há água encanada, energia elétrica e as condições de higiene são as piores possíveis.

“Muita gente sobrevive fazendo bicos na região ou trabalhando na própria Seara. Os que se mudaram resolveram alugar casa na cidade por causa da dificuldade de trazer as crianças para a escola”, relata Jorge Antônio Rodrigues, que além de acampado, atua como pastor evangélico.

O superintendente do Incra limitou-se a informar que já estão em andamento estudos de identificação de uma área entre Sidrolândia e Nova Alvorada do Sul para acomodar as 70 famílias excedentes do Assentamento Nazaré, onde foram assentadas 171 famílias.  Em todo o Estado foram mapeadas 20 mil hectares que poderão ser desapropriados ou compradas para a reforma agrária, mas Cestari preferiu não informar em quais municípios estão localizados para não estimular ocupações.