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Sidrolandia

Sem-terra ocupam área que foi considerada improdutiva região de Itahum

Lideranças da CUT vão visitar o acampamento nos próximos dias para encaminhar, junto aos trabalhadores, os próximos passos da reivindicação.

Douranews

11 de Fevereiro de 2013 - 15:21

Um grupo de aproximadamente 67 famílias, do grupo “Abadio” da Agricultura familiar, ocupa, desde às primeiras horas de ontem (10), uma área de terra na região conhecida como Placa do Abadio, no entroncamento da rodovia estadual “Juca de Matos” que liga Dourados ao distrito de Itahum.

Os sem-terra, ligados à CUT (Central Única dos Trabalhadores), reivindicam a posse de uma área de 310 hectares que já foi vistoriada pela Agraer (a empresa estadual de extensão rural) e considerada improdutiva também através de pareceres do CMDR (Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural), do Conselho Estadual e da Câmara Técnica.

Segundo lideranças do movimento social que pretende implantar, na área, um projeto utilizando o crédito fundiário do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), a burocracia e a morosidade dos órgãos públicos retardou em pelo menos dois anos e meio essa negociação.

Com 63 anos de idade, e vivendo de pequenos serviços na construção civil, Edivaldo Dourado disse que não aguentava mais espera. “A vida inteira trabalhei na terra, mas agora estamos esperando para implantar esse projeto fundiário e ninguém dá resposta; o jeito foi vir pra cá para tentar pelo menos ser vistos”, disse ao Douranews o baiano de Ilhéus que se criou em São Paulo, viveu algum tempo nos acampamentos da região de Presidente Epitácio e depois se mudou para Dourados, onde criou os seis filhos.

“Hoje tenho 23 netos e nenhum pedaço de terra para pelo menos criar uma galinha”, disse o acampado, após concluir a instalação do barraco, junto a uma bandeira da CUT que marca a disposição de luta das demais famílias que decidiram protestar no local.

Dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Dourados informaram que a área reclamada pelos sem-terra possui, ainda, uma demanda litigiosa com relação a uma outra área localizada na cidade vizinha de Itaporã e por isso o Incra não liberou o protocolo de georreferenciamento. Lideranças da CUT vão visitar o acampamento nos próximos dias para encaminhar, junto aos trabalhadores, os próximos passos da reivindicação.