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Sidrolandia

Teerã veta envio de condenada por adultério ao Brasil

Não faz sentido enviar um cidadão criminoso para que tenha liberdade em outro país", disse Hosseini.

Agência Estado

11 de Agosto de 2010 - 10:00

O governo do Irã rejeitou ontem formalmente a oferta do Brasil de receber a iraniana Sakineh Ashtiani como refugiada e confirmou que a execução não será mais por apedrejamento. A informação foi divulgada um dia depois de o Itamaraty ter admitido que levou a oferta de asilo à chancelaria iraniana e no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou um decreto aprovando resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) com sanções contra o Irã.

                Segundo o diplomata iraniano em Oslo, Mohammad Hosseini, a ideia de enviá-la ao Brasil está descartada. "Ela cometeu crimes e foi julgada por eles. Não faz sentido enviar um cidadão criminoso para que tenha liberdade em outro país", disse Hosseini.  

                "O Irã deve recusar a oferta do Brasil, já que a pessoa envolvida cometeu um crime, e um criminoso não pode ser mandado para outro país", afirmou. "Ela deve encarar as consequências legais dos atos que cometeu. Qualquer pessoa que tire a vida de alguém precisa entender que há consequências. Não faz sentido aceitar, pois isso não poderia ocorrer em nenhum outro país."

                Inicialmente, informou-se que Sakineh tinha sido condenada à morte por apedrejamento por adultério. Mas, após pressões da comunidade internacionais, Teerã informou que ela foi condenada pelo assassinato do marido. Tanto a iraniana quanto o advogado dela, Mohammad Mostafaei - que recebeu asilo na Noruega -, alegam que Teerã simplesmente mudou a condenação para justificar a execução.