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Sidrolandia

Um em cada quatro idosos com declínio cognitivo consegue reverter quadro

Minha Vida

01 de Abril de 2013 - 15:00

Um estudo publicado na quarta-feira (27) no periódico PLOS One mostra que um em cada quatro idosos com comprometimento cognitivo - um precursor da demência - naturalmente reverte o quadro mental.

Os resultados desafiam a crença popular de que pessoas mais velhas com problemas cognitivos estão destinadas a piorar. A descoberta foi feita por especialistas da University of New South Wales, na Austrália.

Para a pesquisa, foram analisadas 223 pessoas com idades entre 71 e 89 anos diagnosticadas com transtorno cognitivo leve.

Todas faziam parte do Sydney Memory and Ageing Study e foram submetidas a diversos testes para avaliar o funcionamento cerebral, incluindo funções de linguagem e memória. Após dois anos, 66 idosos mostraram desempenho normal da cognição.

As análises revelaram, então, que embora não seja sempre possível prever quais indivíduos apresentaram regressão do quadro, há alguns indicadores que podem sugerir tal mudança.

Aqueles que recuperaram a saúde mental pareciam envelhecer melhor e apresentavam maior probabilidade de ter a pressão arterial controlada, além de serem mais mental e fisicamente ativos. Assim, atividades que estimulam o raciocínio e exercícios foram apontados como importantes fatores na melhora da saúde dos idosos.

Os resultados mostraram ainda que os participantes que se mostraram abertos a novas experiências também eram mais propensos a reverter o quadro. Para os especialistas, isso indica que uma personalidade mais flexível representa uma vantagem durante o envelhecimento.

Dicas para envelhecer com saúde

Manter o convívio social, cuidar de si mesmo e praticar exercícios são fundamentais para envelhecer com saúde.

Veja outras dicas que sugerimos para manter a rotina agitada e produtiva:

Frequente bailes

Dançar na terceira idade não é só uma maneira divertida de mexer o corpo. Habilidades como força, ritmo, agilidade, equilíbrio e flexibilidade também são desenvolvidas e trazem bem-estar e saúde aos idosos.

Quando dançam, eles fazem um esforço maior para memorizar a sequência dos passos e precisam se concentrar para não invadir o espaço do parceiro, conclui um estudo recente da Unicamp, em São Paulo. Além disso, se lembram de experiências e sensações vividas no passado, quando a música os remete à juventude.

Aprimore dons artísticos

Estudar música na maturidade, segundo estudo da PUC-SP, estimula funções neurológicas relacionadas às ações motoras, linguísticas e sensoriais, geralmente prejudicadas com o passar do tempo, e ainda melhora a autoestima.

Isso sem esquecer que muitos idosos, mesmo após a aposentadoria, continuam sustentando a família - a situação é comum a cada 3 entre 10 aposentados brasileiros, de acordo com dados do IBGE. Diversos centros de convivência oferecem cursos de artesanato que podem se transformar em fonte de renda.

Viaje

Além de conhecer novos lugares e culturas, a viagem é chance para lidar com pessoas diferentes e fugir à rotina. Uma das reclamações comum entre os idosos é que as pessoas ao redor têm pouco tempo para eles - excursões regulares, nem que seja para regiões próximas, favorecem novos relacionamentos.

Pratique atividades físicas

O hobby proporciona o aumento do círculo social e ainda traz melhorias à saúde. No entanto, o grupo que aproveita essas vantagens ainda é pequeno: apenas 10% das pessoas com mais de 65 anos realizam de 2,5 a 5 horas de exercícios por semana, recomendação do Centro Médico da Universidade de Rush, de Chicago (EUA).

Agite a vida cultural

Existe uma série de políticas públicas que incentivam a visita de aposentados a espaços culturais: cinemas e teatros cobram meia-entrada, enquanto alguns museus e pinacotecas até abrem mão do pagamento do ingresso.

Os passeios valem como forma de acompanhar os mais jovens e também como alternativa para ocupar as tardes de maneira independente, afinal um bom filme é sempre boa companhia.

Dedique experiência

O voluntariado é uma atividade que exige paciência, conhecimento e dedicação, atributos desenvolvidos com o tempo. Transmitir o conhecimento e a experiência acumulados a outras pessoas melhora a autoestima do idoso. As atividades ainda estimulam a atualização e a busca de novidades em temas de que o idoso gosta, trabalhando a memória.

A assistente social Andreia Cristiane Magalhães, do Centro de Referência do Idoso, também lembra que o voluntariado é uma atividade que lhe permite passar todo seu conhecimento e experiência de vida a outras pessoas. Além disso, a mente permanecerá ativa e o círculo social também agradecerá.

Invista em uma faculdade

Cursos superiores direcionados aos mais velhos são cada vez mais comuns - uma atividade que ainda favorece o convívio com pessoas diferentes, interessadas nos mesmos assuntos.

Para facilitar, estes cursos contam com carga horária flexível e, em muitas instituições, são gratuitos ou cobram mensalidade simbólicas.