Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Terça, 26 de Outubro de 2021

Sidrolandia

Vereador de Dourados teria fraudado prestação de contas para escapar de cassação

O pedido de investigação está sendo feito pelo MPE (Ministério Público Estadual) por meio do do promotor eleitoral Paulo Zeni

Midiamax

10 de Fevereiro de 2011 - 17:44

O vereador Aurélio Luciano Pimentel Bonatto (PDT) que está afastado do cargo por determinação judicial será investigado pela Polícia Federal para apuração da autenticidade de recibos de doação para a sua campanha eleitoral. O parlamentar, segundo a PF, teria participação em esquema de fraudes em licitações públicas, crime descoberto na operação Uragano, desencadeada em setembro passado.

O pedido de investigação está sendo feito pelo MPE (Ministério Público Estadual) por meio do do promotor eleitoral Paulo Zeni.

O promotor pediu à Polícia Federal a instauração de um inquérito para apurar o crime eleitoral e de falsidade ideológica possivelmente cometida pelo vereador Bonatto conforme documentos da prestação de contas de sua campanha para deputado estadual entregues no Cartório Eleitoral.

O vereador Aurélio Bonatto anexou em sua prestação de contas à Justiça Eleitoral três recibos eleitorais onde consta que o jornalista e ex-secretário de Governo da Prefeitura de Dourados Eleandro Passaia fez a doação de um montante de R$ 15 mil para a sua campanha de deputado estadual.

Eleandro Passaia que está fora da cidade disse por telefone ao Midiamax que jamais fez doação para a campanha de Bonatto. Na prestação de contas do vereador estão as “vias do doador” dos três recibos de doação que não foram assinados por Passaia e por este motivo suscitou o pedido de investigação por parte do MPE.

Passaia disse que se precisar vai até a tribuna da Câmara contestar a afirmação de Bonatto já que nunca doou dinheiro para a campanha conforme o vereador “comprova” na Justiça Eleitoral. “Eu não assinei nenhum recibo de doação”, disse o ex-secretário.

O recibo eleitoral 1001033181 consta que Eleandro Passaia doou no dia 18 de agosto de 2010 a quantia de R$ 3.150,00 em dinheiro vivo para Bonatto e que foi utilizado para “panfletagem do lançamento de campanha” conforme atesta a nota fiscal 1010 emitida pela empresa Só Panfletos – Martins & Matos Ltda emitida no mesmo dia.

A segunda doação no valor de R$ 6.850,00 também em dinheiro foi feita no dia 27 de outubro de 2010 por Passaia, segundo recibo número 12001033183 assinado pelo vereador Bonatto para ser usada na impressão de 30 mil cartas, 50 mil cartões e 100 mil santinhos. A despesa foi comprovada pela nota fiscal 2800 emitida pela Gráfica Estrela – Gráfica e Editora Sulmat Ltda.

Já no dia 30 de outubro de 2010 foi feita a terceira e última suposta doação de Eleandro Passaia para Bonatto no valor de R$ 5.000,00 através do recibo eleitoral número 12001033184 que seriam utilizados para a aquisição de gasolina. Nota fiscal número 7984 emitida pelo Auto Posto Tambory I – Perroni & Moro Ltda, comprova que o dinheiro foi usado para a compra de 1.852, 54 litros de gasolina.

JUSTIFICAR A FILMAGEM

A “suposta” doação de R$ 15 mil de Passaia para a campanha eleitoral de Aurélio Bonatto teria sido forjada para compor a defesa do vereador na Comissão Processante que tramita na Câmara Municipal que poderá culminar com a cassação do seu mandato.

Esta doação seria um estratagema da defesa do vereador que foi filmado recebendo R$ 15 mil das mãos de Passaia que fez a gravação com a autorização da Justiça. Após a Uragano, numa manifestação realizada na Câmara dos Vereadores, Bonatto levou uma sapatada no rosto.

Acontece que as gravações do “recebimento” do dinheiro foram feitas antes do dia primeiro de setembro quando foi deflagrada a Operação Uragano enquanto que duas das três doações aconteceram somente depois da eleição de cinco de outubro.

Na ação civil pública impetrada pelo Ministério Público consta que Aurélio recebeu propina e não doação.

No relatório do MP Eleandro Passaia alega que “Aurélio Bonatto praticou atos de oficio visando beneficiar projetos do Executivo, fazendo, conforme o combinado, “oposição de tribuna”, sem causar problemas para a aprovação e execução dos projetos irregulares da Prefeitura, dos quais tinha pleno conhecimento e que tinha por obrigação, na qualidade de vereador, de denunciar; concordou com a elevação do IPTU e com a prorrogação da queima da palha de cana; para tanto solicitou e recebeu vantagem indevida em razão do cargo político de vereador, tendo recebido vantagem indevida de R$ 15 mil, incidindo na prática de atos de improbidade administrativa que importam enriquecimento ilícito”.

Conforme a Ação do MP “no dia 02/06/2010 Aurélio Bonatto foi gravado no momento em que recebia R$ 10.000,00 de propina. Na gravação do dia 28/06/2010 Bonatto recebeu mais R$ 5.000,00”.

BONATO EXPLICA

O vereador Aurélio Bonatto disse a Midiamax que a sua prestação de contas à Justiça Eleitoral e a defesa feita na Câmara Municipal por causa da Comissão Processante foram feitos por seus advogados. “Vou conversar com os advogados para depois falar a respeito deste assunto”, disse o vereador.