CAMPO GRANDE
Preso pela PF, policial civil tem salário de R$ 14 mil e é alvo da 3ª operação
Célio Monteiro já foi flagrado de bate-papo com traficante na porta de delegacia.
Campo Grande News/Redação
18 de Março de 2026 - 08:44

A Polícia Federal prendeu o policial civil Célio Rodrigues Monteiro durante operação, deflagrada nesta quarta-feira (dia 18), que mira esquema milionário de contrabando. Equipes da PF e da Corregedoria da Polícia Civil foram à casa do policial, no Bairro Pioneiros, em Campo Grande.
Essa é a terceira vez que ele é alvo de operação nos últimos seis anos. Conforme o Portal da Transparência do Governo de Mato Grosso do Sul, Célio tem salário de R$ 14.169,84.
No momento da prisão, os portões do imóvel, que fica numa esquina, com saída para duas ruas, foram fechados. Antes, uma caminhonete da corregedoria entrou na garagem.
Célio é lotado em Sidrolândia. A delegacia da cidade vizinha foi alvo de mandado de busca pela PF. Conforme apurado pela reportagem, os policiais federais permaneceram por 20 minutos na delegacia de Sidrolândia.
A operação da Polícia Federal também prendeu o policial Edivaldo Quevedo da Fonseca. Ele é lotado na 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, na Vila Piratininga, e tem salário de R$ 14.647,85.
Segundo a PF, a organização criminosa, investigada na Operação Iscariotes, contava com a participação de agentes vinculados a órgãos de segurança pública (aposentados e da ativa).
Eles atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo. A suspeita é que atuavam em esquema de contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro e corrupção.
Durante as investigações, foram realizados diversos flagrantes, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais. Após o ingresso irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e em outros estados, especialmente Minas Gerais, muitas vezes de maneira fracionada em meio a cargas lícitas.
A operação é da Polícia Federal e Delefaz (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul), com apoio da Receita Federal.

Colecionando operações - Em 2020, Célio, conhecido como “Manga Rosa”, foi alvo de mandado de prisão da operação Omertà. Ele foi acusado de lavagem de dinheiro do grupo ligado à exploração do jogo do bicho, mas acabou sendo inocentado em primeiro e segundo graus.
No ano de 2024, o investigador foi alvo da Operação Snow. A investigação contra o tráfico de cocaína teve flagrante de Célio conversando com o traficante Douglas Oliveira Santanader, o “Dodô”, em frente à 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, no dia 23 de novembro de 2023. Depois da Snow, o policial foi transferido para Sidrolândia.




