Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Sexta, 10 de Julho de 2026

DIREITOS HUMANOS

Sete pessoas se oferecem para acolher bebê com quadro grave de saúde

Candidatos procuraram a Justiça, mas ainda precisam passar pelo processo obrigatório.

Campo Grande News

10 de Julho de 2026 - 16:55

Sete pessoas se oferecem para acolher bebê com quadro grave de saúde
Menininho precisa de cuidados constantes e de uma família que possa dar acolhimento e amor (Foto: Divulgação/Núcleo de Adoção do TJMS).

Cerca de sete pessoas procuraram o Núcleo de Adoção de Campo Grande interessadas em acolher o bebê de aproximadamente dois meses que, por causa do grave quadro de saúde, ainda não encontrou uma família entre os pretendentes habilitados no SNA (Sistema Nacional de Adoção).

Os contatos ocorreram após a história do menino ser publicada pelo Campo Grande News, no último dia 8. Nenhum dos interessados, porém, está atualmente apto a adotar. Alguns começaram o curso obrigatório do processo de habilitação, enquanto outros ainda nem chegaram a essa etapa.

Exceção em projeto de adoção, há 2 meses bebê com saúde frágil espera família

Antes do abandono, casais jovens procuram a Justiça para entregar bebês à adoção

Mesmo assim, os nomes estão sendo anotados e as primeiras conversas já começaram. Caso nenhuma família seja encontrada entre os pretendentes já cadastrados no sistema nacional, essas pessoas poderão passar pelo processo de avaliação psicossocial e habilitação.

Segundo a assistente social do Núcleo de Adoção Rita Diniz Marques, o interesse, sozinho, não basta. Antes de assumir a criança como filho, os pretendentes terão de conhecer detalhadamente as condições de saúde do menino e demonstrar que estão preparados para os cuidados que ele exige.

“Não pode só, digamos assim, ter interesse. A pessoa também tem que passar por um processo de avaliação psicossocial para a gente saber se ela tem perfil para adotar uma criança com as condições dele”, explica.

O bebê nasceu prematuro e apresenta problemas cardíacos e renais, além de fenda palatina e lábio leporino. Desde a publicação da primeira reportagem, ele já passou por um procedimento cirúrgico e continua no hospital.

Esse quadro, segundo Rita, ainda não está completamente definido. Há exames sem resultado e suspeitas de outros problemas de saúde que ainda não podem ser confirmados. Por isso, nem mesmo a equipe consegue apresentar aos possíveis pais um prognóstico fechado sobre o futuro da criança.

“Quem for assumir a responsabilidade por essa criança tem que entender isso, que é assumir uma responsabilidade para sempre. É como pai e mãe, é ter o filho e assumir para a vida toda”, afirma a assistente social.

A preocupação é que parte dos interessados recue ao conhecer em profundidade a situação do bebê. Até agora, eles sabem que o quadro é grave, mas ainda não receberam todas as informações médicas disponíveis.

“Muitos não sabem realmente a condição de saúde dele. Sabem que é sério, mas, quando souberem mais a fundo, a gente não sabe se vão prosseguir com esse desejo”, diz Rita.

A equipe pretende acelerar as entrevistas e avaliações. O objetivo é avançar ainda neste mês ou, no máximo, no início do próximo, embora o trabalho seja feito por apenas duas duplas técnicas, formadas por duas assistentes sociais e duas psicólogas, responsáveis também por outros processos de adoção na Capital.

O caso, porém, está entre as prioridades. A busca por uma família vem desde o nascimento do menino, sem sucesso entre os pretendentes cadastrados no sistema.

“Mas a gente não desiste. A gente corre, mobiliza, sensibiliza e, se Deus quiser, encontra alguém realmente comprometido, especial, que aceite e cuide dele com tudo que ele precisa”, afirma Rita.

O menino é uma exceção na história do projeto Dar à Luz, criado há 14 anos na Vara da Infância, Adolescência e do Idoso de Campo Grande para acompanhar casos de entrega voluntária para adoção. Desde 2011, foram realizadas 133 adoções pelo projeto. Normalmente, bebês entregues voluntariamente encontram famílias rapidamente.

Com ele, foi diferente. Prematuro e com uma condição de saúde grave, acabou preterido pelas famílias já habilitadas no sistema. Na primeira reportagem sobre o caso, a juíza Katy Braun, idealizadora do projeto, resumiu o desafio da equipe: “A gente precisa de alguém que queira amá-lo mesmo, até o final”.