ECONOMIA
4 PORTOS EM 1: O mega complexo da Coamo que vai transformar Itapoá
Mais do que um terminal, o empreendimento promete ser um divisor de águas no desenvolvimento da cidade
ITAPOÁ NEWS
16 de Julho de 2026 - 11:05

ITAPOÁ – O que o futuro reserva para a economia e a infraestrutura do nosso município? Para responder a essa pergunta, o Itapoá News inicia hoje uma série especial de reportagens detalhando o audacioso projeto do futuro Porto da Coamo. Mais do que um terminal, o empreendimento promete ser um divisor de águas no desenvolvimento da cidade, unindo gigantes do mercado global em um complexo portuário multimodal sem precedentes na região.
A estrutura: quatro operações em um só lugar
A grandiosidade do projeto impressiona logo de cara. Com acesso previsto pela via de uso logístico (Estrada José Alves), o empreendimento ocupará uma área de aproximadamente 43 hectares. Deste total, cerca de 60 mil metros quadrados serão de área construída, englobando armazéns, tanques de armazenamento e prédios administrativos.

O futuro porto terá a capacidade máxima de movimentar 10,9 milhões de toneladas por ano, operando de forma integrada em quatro frentes distintas:
Granéis Sólidos Vegetais: Terminal focado no escoamento de safras agrícolas, como soja e milho.
Fertilizantes: Estrutura dedicada à importação de insumos essenciais para a agricultura.
Granéis Líquidos: Operação voltada para a movimentação de combustíveis.
Gás Liquefeito de Petróleo (GLP): Recebimento em granel líquido do insumo básico utilizado para a produção do indispensável gás de cozinha.
Oportunidades, empregos e impacto econômico
A construção e a operação do complexo portuário representam uma injeção massiva na economia local. A estimativa é de que o projeto gere até 2.000 empregos diretos durante a fase de obras, além de 800 vagas fixas quando as operações forem iniciadas.
A rede de empregos indiretos também será imensa. Haverá uma alta demanda por empresas capacitadas para prestar serviços terceirizados de manutenção civil, mecânica e elétrica, além de segurança privada, trabalhos temporários e fornecimento de insumos gerais.
Essa onda de desenvolvimento vai muito além dos portões do porto. A atração de novos trabalhadores e o fomento dos negócios locais aquecerão setores essenciais de Itapoá:
Comércio e Serviços: Aumento na demanda por supermercados, padarias, farmácias, academias e clínicas médicas e odontológicas.
Mercado Imobiliário: Alta expressiva na procura por compra e locação de imóveis para moradia.
Arrecadação Pública: A previsão é de que as operações gerem mais de R$ 100 milhões por ano em tributos aos cofres do município. Esse salto de arrecadação permitirá à Prefeitura e aos governos Estadual e Federal um planejamento mais robusto para investimentos em saúde, educação e infraestrutura urbana.

Os gigantes por trás do projeto
O complexo não será operado apenas pela Coamo — a maior cooperativa agrícola da América Latina e a empresa de maior faturamento no Paraná. O projeto atraiu parceiros de peso e influência mundial:
Yara: A multinacional fundada na Noruega em 1905 é uma das maiores empresas de fertilizantes do mundo, com faturamento anual de US$ 16 bilhões (mais de R$ 80 bilhões) e 17 mil funcionários em todo o globo.
Supergasbras: Pertencente ao grupo holandês SHV, é referência global em fornecimento de GLP, faturando cerca de R$ 10 bilhões anuais, empregando 16 mil pessoas e comercializando mais de 8 milhões de botijões por mês.
A empresa responsável pela operação do terminal de combustíveis líquidos ainda está em fase de definição. No entanto, a Coamo afirma ter conversas avançadas com as principais marcas do cenário nacional, garantindo um operador do mesmo patamar de excelência de suas parceiras.
Um corredor logístico nacional
Para o assessor de operações portuárias da Coamo, Bruno Alexandre Bortolini, o projeto não apenas redesenha a logística do Sul do Brasil, mas impacta diretamente a vida do consumidor final.
“Este porto, na realidade, serão 4 portos em 1. São 4 operações de suma importância para a logística nacional, trazendo benefícios importantíssimos ao usuário e à população. Será um corredor logístico para o escoamento das lavouras dos produtores de SC, com a possibilidade de também recebê-los com fertilizantes. Além disso, vamos atender a população com combustíveis e gás de cozinha de forma mais rápida e barata, graças a essas operações locais, gerando empregos e aumento nas arrecadações”, destaca Bortolini.




