ECONOMIA
Arrecadação federal tem pior mês de abril em cinco anos
No mês passado, arrecadação somou R$ 109,24 bilhões, diz Receita. Na parcial deste ano, somou R$ 418,61 bilhões, com queda de 2,71%
G1
21 de Maio de 2015 - 13:49
A arrecadação de impostos e contribuição federais, além das demais receitas (como "royalties"), registrou queda real de 4,62% em abril deste ano, para R$ 109,24 bilhões, informou a Secretaria da Receita Federal. Trata-se do resultado mais baixo para este mês desde 2010 ou seja, em cinco anos, quando somou R$ 99,31 bilhões.
Já no acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, ainda de acordo com dados oficiais, a arrecadação totalizou R$ 418,61 bilhões com queda real de 2,71% frente ao mesmo período do ano passado. Este foi o pior resultado, para este período, desde 2011, informou a Receita Federal.
A arrecadação federal se ressentiu em abril, e no acumulado deste ano, do baixo nível de atividade econômica e, também, das desonerações de tributos efetuadas nos últimos anos justamente para tentar estimular o Produto Interno Bruto (PIB) e o nível de emprego. Por outro lado, a arrecadação registrou queda mesmo com aumentos de tributos autorizados em 2015 para tentar reequilibrar as contas públicas que registraram déficit primário inédito no ano passado.
Atividade fraca e desonerações feitas nos últimos anos
De acordo com dados da Receita Federal, a arrecadação ainda registrou, nos quatro primeiros meses deste ano, do baixo nível de atividade econômica. Segundo o Fisco, a produção industrial recuou 5,13% no primeiro quadrimestre, as vendas de bens e serviços caíram 4,36% e o valor em dólar das importações recuou 21,75%, apesar do aumento de 6,77% na massa salarial.
Ao mesmo tempo, o governo também informou que as desonerações de tributos feitas nos últimos anos parcialmente revertidas no início de 2015 em alguns casos também geraram queda da arrecadação nos quatro primeiros meses deste ano. De acordo com a Receita Federal, as reduções de tributos realizadas nos últimos anos tiveram impacto de queda na arrecadação de R$ 38,29 bilhões nos quatro primeiros meses de 2015, contra R$ 31,75 bilhões no mesmo período do ano passado.
Alta de tributos
Apesar das reduções de tributos feitas nos últimos anos, o governo começou a aumentar impostos em 2015. Logo no início deste ano, o governo elevou o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis, que retornou para as chamadas "alíquotas cheias". O carro 1.0, por exemplo, passou a ser tributado em 7% pelo IPI, contra a tributação anterior de 3%. A expectativa do governo é de arrecadar até R$ 5 bilhões a mais neste ano com a medida.
Em 21 de janeiro, a nova equipe econômica subiu o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide nas operações de crédito para o consumidor. A alíquota passou de 1,5% para 3% ao ano (o equivalente à alta de 0,0041% para 0,0082% por dia). Esse valor está sendo cobrado além dos 0,38% que incidem na abertura das operações de crédito. Com essa medida, o governo espera arrecadar R$ 7,38 bilhões neste ano.
Além disso, também já foi elevada, no início de fevereiro, a tributação incidente sobre a gasolina e o diesel. Segundo o Fisco, o impacto do aumento da tributação será de R$ 0,22 para a gasolina e de R$ 0,15 para o diesel. A expectativa do governo é arrecadar R$ 12,18 bilhões com esta medida em 2015.
O aumento de tributos, juntamente com a limitação de benefícios sociais, como o seguro-desemprego, o auxílio-doença, o abono salarial e a pensão por morte, além do corte de investimentos, faz parte da estratégia do governo para tentar reequilibrar as contas públicas e aumentar a confiança dos investidores. Em 2014, as contas públicas tiverma déficit inédito. Para este ano, o objetivo é de que o setor público tenha um superávit primário de 1,2% do PIB, ou R$ 66,3 bilhões.
Arrecadação por tributos
A Receita Federal informou que o Imposto de Renda arrecadou R$ 122,74 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano, com queda real de 0,84% sobre o mesmo período do ano passado (R$ 123,78 bilhões). Os números foram corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
No caso do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), a arrecadação somou R$ 52,68 bilhões de janeiro a abril, com queda real de 6,32% sobre o mesmo período ano anterior. Sobre o IR das pessoas físicas, o valor arrecadado totalizou R$ 11,16 bilhões na parcial de 2015, com recuo real de 2,36%. Já o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) arrecadou R$ 58,89 bilhões no primeiro quadrimestre, com alta real de 4,96% sobre igual período de 2014.
Com relação ao Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), os números do Fisco mostram que o valor arrecadado somou R$ 17,16 bilhões nos quatro primeiros meses deste ano, com queda real de 4,07% sobre o mesmo período do ano passado.
No caso do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), houve uma alta real de 8,82%, para R$ 11,04 bilhões, no primeiro quadrimestre deste ano. Neste caso, a arrecadação foi influenciada pela alta do tributo, que já foi recomposto no início deste ano.
A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por sua vez, arrecadou R$ 67,43 bilhões nos quatro primeiros meses deste ano, com queda real de 2,26%, enquanto a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) registrou arrecadação de R$ 28,13 bilhões no acumulado de 2015, com recuo real de 3,89%.




