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ECONOMIA

Com vendas em queda, preço do cimento cai 12% e acirra disputa no comércio

O preço despencou de R$ 24,90 para R$ 21,90, com esta economia de R$ 3,00, a cada sete sacos adquiridos, o consumidor compra o oitavo.

Flávio Paes/Região News

05 de Março de 2017 - 20:35

A queda de vendas, que provocou a formação de grandes estoques nas indústrias de cimento, acirrou a disputa no comércio do segmento e o consumidor está pagando até 12% mais barato pelo saco de 50 quilos, sem entrega em domicílio. O preço despencou de R$ 24,90 para R$ 21,90, com esta economia de R$ 3,00, a cada sete sacos adquiridos, o consumidor ganha o oitavo.

A “guerra” de preços só está sendo possível porque as indústrias, diante da estimativa de queda de 5% nas vendas, reduziram os preços cobrados dos depósitos; redução repassada ao consumidor. No caso de Sidrolândia, a concorrência transformou-se numa queda de braço em particular entre duas lojas (a Comercial Center Mais e a Agro Shopping), ambas estabelecidas na Avenida Dorvalino dos Santos, praticamente uma em frente da outra.

Há uma semana na Agro Shopping o preço do cimento oscilava entre R$ 24,00 e R$ 22,90. A Comercial Center Mais contra-atacou oferecendo o produto a R$ 22,30 e exibindo uma faixa para atrair a clientela. A Agro Shopping reagiu, diminuiu o seu preço para R$ 21,95 (abatimento de R$ 0,35) e ergueu sua própria faixa na fachada, com seu preço promocional e uma frase provocativa (“se é para bagunçar”).

Foto: Reginaldo Mello/Região News

Com vendas em queda, preço do cimento cai 12% e acirra disputa no comércio

A Comercial Center Mais contra-atacou oferecendo o produto a R$ 22,30 e exibindo uma faixa para atrair a clientela.

O empresário Diego Pavei atribuiu à concorrência (que não trabalha com material de construção) esta guerra de preço que reduziu drasticamente a margem de lucro, “causando desconforto no setor”.

O empresário Jair do Nascimento, dono do Eldorado Material de Construção, atribuiu esta queda nos preços ao efeito da chamada lei da oferta e da procura. “Está sobrando na praça. Não há mágica, quando caem as vendas de um determinado, a forma de desovar os estoques é apertar a margem de lucro, reduzindo o preço de venda ao consumidor”, explica. No caso do Eldorado, há 10 dias o saco de cimento era vendido a R$ 24,90, agora sai a R$ 21,90, quando o consumidor retira na loja. 

Preço cai a R$ 17,00

Se as projeções das indústrias cimenteiras se confirmarem, é possível que o preço do saco de cimento caia para R$ 17,00. O setor deve amargar em 2017 o terceiro ano de queda nas vendas e alcançar um nível de capacidade ociosa perto dos 50 por cento.

O Brasil é o quinto maior produtor de cimento do mundo. Com capacidade instalada de cerca de 100 milhões de toneladas, o setor teve vendas 57,24 milhões de toneladas no ano passado, uma queda de 11,7 por cento sobre 2015, quando as vendas já tinham recuado 9,5 por cento. Em 2014, as vendas atingiram o pico de 71 milhões de toneladas de cimento.

Segundo dados do Sindicato das Indústrias, o setor vinha crescendo as vendas a cada ano desde 2002 até 2014, acompanhando a expansão da economia e da renda dos trabalhadores. Mas em 2015, diante da crise e do desemprego, o setor inverteu o movimento e passou a acumular capacidade ociosa crescente uma vez que projetos de expansão anunciados em anos de crescimento como 2013 e 2014 ainda não ficaram prontos.

"O que nos preocupa é que vivemos período de sinal trocado, em que a capacidade de produção é crescente. As empresas podem desacelerar os projetos já anunciados, mas não têm como suspender (...) Provavelmente até 2018 ou 2019 ainda teremos crescimento da capacidade de produção", disse Penna.

Em 2015, a capacidade brasileira de produção de cimento era de 93 milhões de toneladas, afirmou o presidente do Snic, alertando que o setor pode vir a representar um gargalo para a recuperação da economia, diante de decisões de paradas de fornos ou desativação de unidades produtivas já prontas.

Em 2007, por exemplo, quando o PIB cresceu cerca de 6 por cento, chegou a faltar cimento em algumas cidades do país e o próprio Snic comentava na época que estava faltando no Brasil itens para construção incluindo gruas, andaimes e engenheiros.

Segundo Penna, a expectativa da entidade é que, por fatores sazonais, os três primeiros meses deste ano mostrem ainda fraqueza na comercialização de cimento.

Mais para o meio do ano espera-se uma melhoria, incentivada pela queda nos juros da economia, a retomada de projetos do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, liberação de recursos de contas inativas do FGTS e efeitos do programa Cartão Reforma, anunciado no final de outubro.

A expectativa de melhora a partir do segundo semestre decorre do fato de que 75 por cento das vendas de cimento no país vão para edificações e o restante para obras de infraestrutura, afirmou Penna.

Em dezembro, as vendas de cimento no Brasil foram de 4,32 milhões de toneladas, uma queda de 5,3 por cento sobre o mesmo período de 2015 e recuo de cerca de 9 por cento sobre novembro. Segundo Penna, considerando apenas a média de venda por dia útil, as vendas de dezembro tiveram baixa anual de 11 por cento.

No mês passado, as vendas em todas as regiões do país recuaram na comparação anual, com destaque para quedas de quase 14 por cento no Centro-Oeste. A região Norte teve baixa de aproximadamente 8 por cento nas vendas, enquanto Nordeste teve queda de 5 por cento, Sudeste caiu 4 por cento e Sul teve retração de 1,5 por cento.